Juros fecham em alta, com curtas nas máximas, pressionadas pelo câmbio

  • Por Estadão Conteúdo
  • 11/05/2018 17h36
USP DivulgaçãoDólar bateu a máxima de R$ 3,6121 nesta sexta-feira

Os juros futuros encerraram a sessão regular desta sexta-feira, 11, em alta. As taxas já subiam desde o período da manhã e algumas delas, em especial as curtas, aceleraram para as máximas pouco antes do fechamento dos negócios, alinhadas às máximas também atingidas pelo dólar ante o real.

Todo o movimento da curva nesta sexta-feira esteve atrelado ao câmbio. O avanço do dólar manteve em vigor o debate sobre se, diante do desempenho da moeda americana – que em 2018 já sobe quase 9% – não seria mais adequado o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic inalterada em 6,50% na reunião da próxima semana. Desse modo, as apostas em torno de estabilidade da taxa básica neste mês, que na quinta-feira estavam em torno de 20%, nesta sexta, estão mais perto de 30%, segundo aponta a precificação da curva a termo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para outubro de 2018 encerrou com taxa de 6,215%, de 6,188% no ajuste de quinta, e a taxa do DI para janeiro de 2019 fechou na máxima de 6,315%, ante 6,259% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2020 também terminou na máxima, de 7,29%, ante 7,22%. Nos longos, a taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 8,26% para 8,37% (máxima). O DI para janeiro de 2023 terminou com taxa de 9,51%, de 9,44%.

Perto das 16h30, o dólar à vista era cotado em 3,6022, alta de 1,49%, logo após bater a máxima de R$ 3,6121 (+1,77%). Profissionais da área de câmbio atribuíram as máximas ao aumento de operações de hedge e cautela com a divulgação de pesquisa de intenção de voto da CNT/MDA, na segunda-feira.

O mercado teme que a sondagem mostre crescimento nas intenções de voto do ex-senador Ciro Gomes (PDT), depois da desistência do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (PSB) de concorrer ao Planalto. Os profissionais veem o pedetista como um candidato desalinhado com as propostas do mercado.

Ainda sobre câmbio, na Argentina, o dólar também tem forte avanço. Na medida em que a moeda se aproximou da marca de 24 pesos argentinos, o banco central do país interveio nesta tarde, despejando dólares no mercado para tentar interromper a disparada da moeda americana.

Na avaliação do economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, o impacto da crise argentina no Brasil deve se restringir ao setor automotivo e a alta do dólar ajuda a segurar a atividade ao elevar o nível de alavancagem das empresas.