O que acontece com os clientes do Will Bank, liquidado pelo BC?

Valores estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos; segundo a entidade privada, os valores garantidos serão pagos após o recebimento das informações das intuições que estão sendo consolidadas pelo BC

  • Por Fernando Keller
  • 21/01/2026 14h02 - Atualizado em 22/01/2026 12h51
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Reprodução/X/@eusouwillbank Will Bank Após a liquidação, a instituição envia uma lista de pessoas e valores a serem pagos pelo FGC, em processo que pode durar até 30 dias após a falência

Will Bank foi liquidado pelo Banco Central (BC) nesta quarta-feira (21). A empresa era o braço digital do Banco Master, que passou pelo mesmo processo. Sendo assim, a lei exige que os bens dos controladores e ex-administradores da intuição fiquem indisponíveis.

No caso dos clientes, os valores de até R$ 250 mil estão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor do pagamento é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões. Segundo a entidade, os valores garantidos serão pagos após o recebimento das informações das intuições que estão sendo consolidadas pelo BC.

Anteriormente, foi informado pelo FGC que clientes que tinham produtos protegidos antes da aquisição pelo Banco Master, em 21 de agosto de 2024, estão garantidos, porém horas depois o fundo informou que a data correta seria 30 de agosto de 2024.

A partir do dia 1º de setembro de 2024, 22 de agosto de 2024, nos casos dos clientes que já tenham recebido valores relativos à liquidação do Master, Banco Master de Investimento ou Lestbank, atingindo o teto de R$ 250 mil, não receberão novos valores. Os que não atingiram o teto, podem receber até atingir o volume máximo. Anteriormente o FGC havia informado que a data era 22 de agosto de 2024.

Para assuntos não relacionados ao pagamento de garantias, como quitação de empréstimos, cartão de crédito etc. o contato deve ser estabelecido diretamente com a instituição liquidada.

Caso o cliente tenha valores que somem mais de R$ 250 mil, ele terá que acionar a Justiça, segundo a professora da FGV e conselheira do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia) Carla Beni.

Segundo a especialista, para ter acesso à massa falida, que é o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma empresa que teve a falência decretada, a pessoa terá que contratar um advogado para cobrir o valor restante. Outra opção apontada também seria entrar com uma ação coletiva, em busca da redução de custos para o processo.

Como receber os valores

Após a liquidação, a instituição envia uma lista de pessoas e valores a serem pagos pelo FGC, em processo que pode durar até 30 dias após a falência. Segundo a entidade, nas últimas liquidações, os pagamentos começaram entre 30 a 60 dias.

Os credores então têm que cadastrar a conta bancária, validar a biometria e enviar documentos no aplicativo do FGC.

Só então os credores podem entrar com o pedido de garantia. Pessoas Físicas farão a solicitação por aplicativo de celular, e Pessoas Jurídicas pelo site. Os PJs devem se cadastrar no Portal do Investidor do FGC para solicitar o ressarcimento.

A reportagem tentou contato com o Will Bank para esclarecimentos em relação à liquidação e com o BC para que a instituição comentasse o que acontece com os valores acima de R$ 250 mil. Se houver resposta, o texto será atualizado.

Questionada sobre a ação, o Febraban, principal representante do setor bancário nacional, não quis comentar o caso, e reiterou que o banco não faz parte do quadro de associados.

Liquidação

O BC decretou nesta quarta a liquidação extrajudicial da empresa Will Financeira.

Em nota, o BC afirmou que se tornou “inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”.

BC tentou manter a Will Financeira em funcionamento, por meio do Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mas não foi viável, segundo a entidade. A Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard.

O BC também decretou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-controladores da Will Financeira, incluindo as empresas Will Holding Financeira, Master Holding Financeira e 133 Investimentos e Participações, além de Armando Miguel Gallo Neto, Daniel Vorcaro, Felipe Wallace Simonsen, Felipe Félix Soares e Ricardo Saad Neto.

Caso Master

As liquidações do Banco Master, decretada pelo BC em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.

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