Parente: política de preços da Petrobras não será alterada

  • Por Estadão Conteúdo
  • 29/05/2018 17h09
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Segundo presidente da Petrobras, intenção é que a nova metodologia de reajustes, que pode trazer uma fórmula paramétrica, "respeite os conceitos básicos da atual política de preços"
O presidente da Petrobras, Pedro Parente, informou que o diretor Financeiro da companhia, Ivan Monteiro, está nesta terça-feira (29) em Brasília para discutir com representantes do Governo, inclusive da Fazenda, os detalhes da subvenção no preço do óleo diesel anunciada pelo presidente Michel Temer no domingo.

O Governo vai pagar até R$ 0,30 por litro do diesel para que oscilações das cotações internacionais não cheguem ao consumidor Além disso, vai reduzir impostos para garantir ganho de mais R$ 0,16 por litro na bomba. Falta, no entanto, regulamentar as mudanças, que seguirão uma metodologia ainda a ser definida. O texto, que deverá ser publicado na forma de medida provisória ou decreto, poderá sair nesta terça-feira, 29, ou na quarta, 30. A intenção é que a nova metodologia de reajustes, que pode trazer uma fórmula paramétrica, “respeite os conceitos básicos da atual política de preços”.

Parente insistiu, durante a teleconferência com analistas realizada nesta terça-feira, que o conceito econômico da política de preços em vigor não será alterado, ou seja, a empresa continuará revendo os seus preços de acordo com as variações das cotações no mercado internacional e do câmbio. “O governo entende a relevância de manter a equação da política de preços”, afirmou.

Reunião com analistas de mercado
Na teleconferência, feita para tentar reverter a trajetória de queda das ações da Petrobras, iniciada com o anúncio de mudanças no preço do diesel para conter a greve dos caminhoneiros, Parente fez uma retrospectiva dos últimos dias e disse que, em sua opinião, já “há uma melhora progressiva no abastecimento do País”, embora a situação ainda não esteja normalizada.
Ao analisar a crise, Parente ainda afirmou que ficou claro para todo o mercado e população que o debate sobre o preço dos combustíveis está interligado às discussões sobre impostos. Ele comentou ainda que “a discussão pública da política de preços foi personificada” nele e que, em alguns momentos, ficou parecendo que a solução do problema passaria pela sua demissão. Essa é uma das pautas de reivindicações da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que inicia nesta quarta-feira, 30, uma greve de 72 horas.

Segundo Parente, a operação nas refinarias foi afetada pela crise, mas a empresa conseguiu administrar a atividade, atuando também na área logística. “Estamos trabalhando estoques, logística, a programação de produção e parcerias. Consequências em relação à operação tiveram. Mas tomamos as medidas cabíveis”, afirmou.

Pagamento pelo governo

A Petrobras terá liberdade para aplicar o reajuste derivado das condições de mercado, independentemente da periodicidade, explicou Parente.

“Independentemente da periodicidade, a prerrogativa é de reajustes necessários. Esperamos poder passar por isso sem maiores consequências à operação da empresa”, disse o executivo. “O importante é manter as margens de lucro na operação.”

No entanto, ele lembrou que a empresa não tem poder de fixar os preços do petróleo e o câmbio. “Discutimos em Brasília o que é relevante na política de preços”, ressaltou.

Ele explicou que é possível que a empresa tenha nova fórmula de reajuste. Conforme explicação da companhia, foi definido junto ao governo que a periodicidade dos reajustes de preços passará de diária para mensal.

Ao ser questionado por analista como se dará o pagamento pelo governo – conforme explicaram gestores e analistas ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o ponto causa receio no mercado desde a semana passada -, Parente disse que o objetivo é de pagamento pelo governo no menor espaço de tempo possível, ainda dentro do próprio mês.