PIB e inflação têm leves variações na previsão do mercado

  • Por Jovem Pan com Estadão Conteúdo
  • 08/01/2018 10h17
Marcos Santos/USP ImagensOs dados do Focus indicam ainda que o mercado espera pela manutenção da Selic em 6,75% ao ano até janeiro de 2019

O mercado financeiro alterou levemente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e 2018. A expectativa de alta para o PIB no ano passado passou de 1,00% para 1,01% no Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 8. Há um mês, a perspectiva estava em 0,91%. Para 2018, o mercado reduziu a previsão de alta do PIB de 2,70% para 2,69%. Quatro semanas atrás, a expectativa era de 2,92%.

O Banco Central atualizou suas projeções para o PIB no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro. O crescimento projetado para 2017 é de 1,0% e para 2018 de 2,6%.

No Focus agora divulgado, a projeção para a produção industrial de 2017 passou de avanço de 2,04% para alta de 2,25%. Há um mês, estava em 2,00%. No caso de 2018, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 3,12% para 3,14%, ante 2,90% de quatro semanas antes.

Já a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2017 seguiu em 52,10%. Há um mês, estava em 52,15%. Para 2018, a expectativa no boletim Focus foi de 55,70% para 55,60%, ante 55,70% de um mês atrás.

Balança comercial

O mercado financeiro reduziu suas projeções para a balança comercial em 2018. A estimativa de superávit comercial este ano foi de US$ 52,50 bilhões para US$ 52,00 bilhões da última semana para esta, ante US$ 52,50 bilhões de um mês antes.

Na estimativa mais recente do BC, atualizada na Nota do Setor Externo divulgada em dezembro de 2017, o saldo positivo de 2018 ficará em US$ 59,0 bilhões.

No caso da conta corrente, as previsões contidas no Focus para 2017 indicaram déficit de US$ 10,00 bilhões, mesmo valor de uma semana atrás. Há um mês, o déficit estimado era de US$ 10,20 bilhões. A estimativa do BC para o déficit em conta em 2017 é de US$ 9,2 bilhões.

O mercado alterou a projeção de rombo nas contas externas em 2018, de US$ 29,00 bilhões para US$ 29,87 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 28,35 bilhões. Neste caso, a previsão do BC é de déficit em conta de US$ 18,4 bilhões em 2018

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário, tanto em 2017 quanto em 2018. A mediana das previsões para o IDP em 2017 passou de US$ 80,00 bilhões para US$ 78,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 80,00 bilhões. A projeção atual do BC para este ano é de IDP de US$ 75,00 bilhões.

Para 2018, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto, de acordo com o Focus, seguiu em US$ 80,00 bilhões. Há quatro semanas, o valor era o mesmo. O BC também calcula US$ 80,00 bilhões de IDP para o próximo ano.

Inflação – IPCA

Os economistas alteraram levemente suas projeções para o IPCA – o índice oficial de preços – para 2017 e 2018. O Relatório de Mercado Focus divulgado na manhã desta segunda-feira, 8, pelo Banco Central (BC), mostra que a mediana para o IPCA no ano passado foi de 2,78% para 2,79%. Há um mês, estava em 2,88%. Já a projeção para o índice de 2018 passou de 3,96% para 3,95%, ante 4,02% de quatro semanas atrás.

Na prática, as projeções de mercado agora divulgadas no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique levemente abaixo do piso da meta, de 3%, em 2017. O centro da meta para o ano passado e 2018 é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação de 3,0% a 6,0%).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará na quarta-feira (10) o IPCA de dezembro e do acumulado do ano de 2017. Caso seja confirmada uma inflação abaixo dos 3%, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, precisará escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para justificar o fato de o IPCA não ter ficado dentro da meta.

Em dezembro de 2017, o Banco Central atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), suas projeções para o IPCA: 2,8% em 2017, 4,2% em 2018, 4,2% em 2019 e 4,1% em 2020. Estes cálculos do BC levam em conta câmbio e juros variáveis, conforme as projeções do Focus.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2017 no Focus permaneceu em 2,78%. Portanto, estas casas também preveem que o BC não cumprirá a meta, já que a inflação ficará abaixo do piso de 3%. Para 2018, a estimativa do Top 5 seguiu em 3,72%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 2,78% e 4,04%, respectivamente.

Já a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,90% para 3,93% de uma semana para outra – há um mês, estava em 3,91%

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para dezembro de 2017 foi de 0,28% para 0,29%. Um mês antes, estava em 0,37%. No caso de janeiro, a projeção foi de 0,42% para 0,39%, ante 0,48% de quatro semanas antes. No RTI, o BC também atualizou suas projeções de inflação de curto prazo: +0,29% em dezembro, +0,53% em janeiro e +0,47% em fevereiro.

Preços administrados

O Relatório Focus também indicou elevação na projeção para os preços administrados em 2017. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador no ano passado foi de alta de 7,88% para avanço de 7,90%. Para 2018, a mediana foi de 5,00% para 4,95%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 7,85% para os preços administrados em 2017 e elevação de 4,90% em 2018.

As projeções atuais do BC para os preços administrados indicam elevações de 8% em 2017, 4,9% em 2018, 4,3% em 2019 e 4,2% em 2020. Estes porcentuais foram atualizados no Relatório Trimestral de Inflação divulgado em dezembro.

Outros índices de inflação

As projeções do Focus para o IGP-DI de 2018 seguiu em 4,44%. Há um mês, estava em 4,50%. No caso de 2017, o IGP-DI projetado permaneceu em -0,41%. Há um mês, estava em -0,72%.

Calculados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do dólar e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas. O IGP-DI fechado de 2017 será divulgado pela FGV nesta terça-feira, dia 9

Outro índice, o IGP-M, que é referência para o reajuste dos contratos de aluguel, foi de 4,39 % para 4,38% nas projeções dos analistas para 2018. Quatro levantamentos antes, estava em 4,35%

Já a mediana das previsões para o IPC-Fipe de 2018 seguiu em 4,28% no Focus. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC também era de 4,28%.

Juros – Selic

Em meio às indicações do Banco Central (BC) de que pode continuar o processo de corte de juros em fevereiro, os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) para o fim de 2018.

O Relatório Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano seguiu em 6,75% ao ano. Há um mês, estava em 7,00%. A Selic está atualmente em 7,00% ao ano.

Em dezembro de 2017, o Banco Central reforçou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), a indicação de que pode reduzir a Selic em mais 0,25 ponto porcentual em fevereiro, de 7,00% para 6,75% ao ano. Ao mesmo tempo, a instituição afirmou que sua decisão dependerá da evolução da atividade, dos riscos para o cenário – como o ligado ao andamento das reformas -, das avaliações sobre o estágio do ciclo monetário e das projeções para os índices de preços.

No Focus agora divulgado, a Selic média de 2018 permaneceu em 6,75% ao ano, ante 6,78% de quatro semanas atrás. Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica terminará 2018 em 6,50% ao ano, o mesmo porcentual projetado uma semana e um mês antes.

Os economistas do mercado financeiro projetam que a Selic cairá 0,25 ponto porcentual em fevereiro, de 7,00% para 6,75% ao ano. Neste ponto, o Banco Central encerraria o atual ciclo de cortes de juros. Essas projeções fazem parte do Sistema de Expectativas de Mercado do Relatório Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira.

Os dados do Focus indicam ainda que o mercado espera pela manutenção da Selic em 6,75% ao ano até janeiro de 2019, quando o BC daria início a um novo ciclo, com alta de 0,25 ponto porcentual da taxa básica, para 7,00%. Nova elevação é esperada para fevereiro de 2019, para 7,25%. Depois, a projeção é de alta para 7,50% ao ano em março. Para maio de 2019, a taxa projetada é de 8,00% ao ano.

Câmbio

A projeção para a cotação do dólar no fim de 2018 seguiu em R$ 3,34. Há um mês, a cotação da moeda americana estava em R$ 3,30. O câmbio médio de 2018 foi de R$ 3,31 para R$ 3,32, aponta o estudo do Banco Central, ante R$ 3,29 de um mês antes.