Pico da inflação será entre abril e maio, diz Campos Neto

Presidente do Banco Central aponta quebra de safra e aumento do preço do barril de petróleo como pontos de pressão na variação de preços

  • Por Jovem Pan
  • 11/02/2022 14h15 - Atualizado em 14/02/2022 12h01
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO Presidente do BC, Roberto Campos Neto disse que Brasil saiu na frente com a alta dos juros

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira, 11, que a inflação brasileira atingirá o pico entre abril e maio. Esta foi a quarta vez em quatro meses que o chefe da política monetária prevê o ponto máximo da variação de preços. “Imaginamos que é algo [o pico da inflação] entre abril e maio, e que depois vai ter uma queda da inflação um pouco mais rápida”, afirmou em um evento promovido pela Esfera Brasil. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação doméstica, teve alta de 0,6% em janeiro — o maior registro desde 2016 —, e foi a 10,38% em 12 meses, acima dos 10,06% registrados no mesmo período imediatamente anterior.

Em outubro do ano passado, Campos Neto indicou que o pico da inflação seria registrado em setembro. A previsão foi refeita em novembro, quando o presidente do BC afirmou que o país estava perto do topo da variação de preços. Em janeiro, Campos Neto voltou a dizer que o IPCA estava próximo do teto. “Tínhamos a percepção de que iríamos ver o pico perto de dezembro e janeiro, mas vimos uma quebra da safra, que não é pouco relevante, e o petróleo indo de US$ 60 para acima de US$ 90. Isso gerou um pouco a quebra de percepção em relação ao o que seria o pico”, disse nesta manhã.

O chefe da autoridade monetária também comentou a decisão em subir os juros antes das principais economias, movimento que já começou a ser observado em outros bancos centrais. “O Brasil saiu na frente, defendemos essa tese, apesar de aceleração ter sido maior, de que estamos acompanhando bem de perto e vamos usar todas as ferramentas para trazer  inflação para a meta”, afirmou. No início do mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a Selic para 10,75% ao acrescentar 1,5 ponto percentual, o maior patamar dos juros desde 2017. A autoridade monetária indicou nova alta no encontro agendado para o mês que vem, apesar de admitir a desaceleração do ritmo. O movimento fez com analistas do mercado financeiro começassem a enxergar a Selic acima de 12% até o fim do primeiro semestre.