Produção industrial cai em janeiro com entraves nas cadeias globais e avanço da inflação

Pesquisa da CNI mostra que setor segue com dificuldade na geração de emprego e enfrenta queda na utilização da capacidade instalada

  • Por Jovem Pan
  • 15/02/2022 10h01
Pixabay Homem coloca placa de metal em uma estrutura Indústria brasileira entra em 2022 enfrentando os mesmos desafios do ano passado

A atividade industrial brasileira iniciou 2022 com o mesmo fôlego curto observado no fim do ano anterior, apontaram dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados nesta terça-feira, 15. O levantamento mostrou que, em janeiro, houve a piora dos índices de aproveitamento da capacidade instalada e de produção, enquanto a geração de emprego se manteve em patamar insatisfatório. Já os indicadores que medem o humor dos empresários, como a expectativa e a intenção de investimentos, se mostraram moderados. Conforme a entidade, o setor ainda enfrenta desafios gerados pela desorganização global das linhas de produção em reflexo da pandemia da Covid-19 e a corrosão do poder aquisitivo em meio ao avanço da inflação doméstica. “O resultado do mês é uma continuidade do que já vinha acontecendo. Dificuldades na produção por conta do problema nas cadeias de suprimentos e demanda mais fraca, por conta da incerteza da economia, desocupação ainda elevada e a perda do poder de compra das famílias por conta da inflação” afirma o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

A produção industrial registrou 43,1 pontos em janeiro, levemente abaixo do patamar de 43,3 pontos registrado em dezembro, o segundo mês seguido de retração. Conforme a CNI, o desempenho reforça a tendência de que a produção da indústria passa por um momento de esfriamento. Os números da utilização da capacidade instalada (UCI) também indicaram desafios ao setor. Em janeiro, a indústria brasileira registrou 67% de UCI, um ponto percentual abaixo do registrado no fim de 2021. Em janeiro do ano passado, o patamar estava em 69%. Já o número de empregados ficou em 48,8 pontos, pouco melhor do que os 48,6 pontos registrados no mês anterior. O nível ainda representa retração no número de trabalhadores, já que se manteve abaixo da linha divisória de 50 pontos que separa queda de alta do emprego.

O nível de estoque efetivo em comparação ao planejado ficou em 49,9 pontos, indicando que a quantidade armazenada está em linha com o esperado pelas empresas. Desde outubro de 2021, o patamar dos estoques está próximo ao planejado pelos empresários. O índice de evolução do nível de estoques foi de 49,4 pontos, pouco abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que mostra uma pequena queda dos estoques em relação ao mês anterior. Apesar dos dados negativos para o quadro atual, o levantamento da CNI revelou que as expectativas se mantiveram estáveis. Os dados consideram previsões de fevereiro. Os indicadores para demanda, exportação, compra de insumos e número de trabalhadores ficaram acima da linha de 50 pontos, indicando a expectativa de crescimento nos próximos seis meses. A intenção de investimentos ficou praticamente inalterada, passando de 57,9 pontos em janeiro para 58,2 pontos em fevereiro de 2022. O patamar ficou acima da média histórica, de 50,9 pontos, mostrando intenção elevada de investir. O índice está estável desde o início do segundo semestre de 2021.