“Valorização do dólar não é problema só no Brasil, é global”, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 03/05/2018 17h26 - Atualizado em 03/05/2018 17h32
Fotos PúblicasFlutuação do câmbio deve prosseguir nos próximos meses, podendo levar o dólar a um novo patamar, afirma Kraiser

O Banco Central decidiu agir para amenizar a disparada do dólar. Após a alta de mais de 7% da moeda americana na comparação com o real no último mês, a instituição anunciou que passará a atuar a partir desta quinta-feira (3) no mercado futuro para “suavizar movimentos no mercado de câmbio”. A intervenção ocorrerá por meio dos contratos de “swap” – transação financeira que equivale à oferta de dólares. A última ação do BC para conter movimentos da moeda foi em maio de 2017, quando gravações de Joesley Batista aumentaram a volatilidade no mercado.

“A intervenção conteve essa alta, apesar do mercado ter começado meio nervoso, esse swap deu uma acalmada. A gente tem que entender o que está acontecendo, ter uma visão um pouco maior dessa alta, que não é um problema só do Brasil, é global. Nos últimos dois meses, as moedas se desvalorizaram bastante em relação ao dólar, não foi só o real. Esse movimento está acontecendo e o principal fator é a alta dos juros lá fora”, afirma Ivan Kraiser, gestor chefe da Garin Investimentos, em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

O anúncio de que o BC voltará a agir foi divulgado no início da noite da última quarta-feira (2), após a moeda subir 1,55% e fechar o primeiro dia de negócios de maio em R$ 3,5518. Nesta quinta, o BC oferecerá aos investidores até US$ 445 milhões em um leilão.

O BC tem realizado leilões de swap ao longo dos últimos meses para renovar contratos antigos que estavam próximos de vencer. Ou seja, o BC apenas alongou operações existentes. A partir desta quinta-feira, a ação muda porque o BC poderá oferecer volume de dólar superior ao vencimento dos contratos antigos. Em outras palavras, o volume de dólares do BC no mercado futuro vai aumentar.

Se o BC mantiver o ritmo da oferta desta quinta-feira, até o fim do mês terá oferecido US$ 8,445 bilhões ao mercado. O valor é US$ 2,795 bilhões superior ao próximo vencimento dos swaps, em 1 º de junho. Não há, porém, nenhuma garantia de que a oferta seguirá esse padrão. Um gestor de moedas de um banco estrangeiro considerou o montante extra como uma “intervenção pequena”. Ele reconhece, porém, que o mais relevante no momento é a sinalização ao mercado de que, agora, o BC começou a agir.

Nas últimas semanas, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, vinha afirmando que o BC seguia monitorando o câmbio para evitar exageros. Ele advertia o mercado de que o câmbio é flutuante e a autoridade tem munição – reservas internacionais e estoque de swap cambial, além de ofertas de linhas de dólares, se for necessário.

Sobre essa flutuação, Kraiser ressaltou que diversos fatores podem levar a novas altas da moeda, que pode atingir um novo patamar e se estabilizar em uma cotação de R$ 3,40 a R$ 3,60, e que a próxima eleição terá papel vital nesse tema.

“Acho que o dólar mudou de patamar porque, além do problema da alta de juros lá fora, a gente tem uma indefinição política muito grande aqui no Brasil, a gente não sabe o que vai acontecer, quem vai ser o próximo presidente, o que ele vai fazer. Se a gente tiver um candidato que seja pró-reforma, pró-negócio, a gente pode ter uma melhorada boa no mercado, o dólar pode enfraquecer. porém, pode acontecer o contrário, se entrar alguém mais populista”, finalizou.

Fluxo

Na semana em que o mercado acionário brasileiro comemorou dois lançamentos de ações, US$ 4,3 bilhões entraram no País. Entre 23 e 27 de abril, duas operadoras de saúde – o grupo NotreDame Intermédica e a Hapvida – lançaram ações na bolsa paulista e exportadores continuaram com firme volume embarcado.