Edital do Governo repassará R$ 65 mi à pesquisas sobre zika

  • Por Jovem Pan
  • 02/06/2016 16h44
Mosquitos e larvas do aedes aegypti em El SalvadorImagens de zika

Cientistas brasileiros que estudam o zika têm até agosto para se inscrever em um edital do Governo Federal, que repassará R$ 65 milhões à pesquisas que ajudem o mundo a entender e combater o vírus, que causa a microcefalia.

A chamada pública, publicada nesta quinta-feira (2), tem caráter emergencial e responde de uma vez só a duas saias justas: a queixa de pesquisadores com dificuldades financeiras para continuar projetos no País mais infectado do planeta e a uma pressão internacional que calcula os riscos sanitários da realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro.

Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o repasse de recursos dá o tom de prioridade que o zika tem no novo Governo. “A prioridade do Governo, do presidnete Michel Temer, nessa questão do zika vírus. Nosso Instituto Evandro Chagas em parceria com a Universidade do Texas já tem uma vacina contra zika que os testes clínicos começam em novembro, mas precisamos de mais instrumentos para combater o zika”, explicou.

O virologista Gubio Soares, que descobriu o zika pela primeira vez no Brasil em abril passado, lembrou que não conseguiu prosseguir com as pesquisas sobre o, até então, misterioso vírus na época por falta de recursos.

O professor da Universidade Federal da Bahia vê com bons olhos a iniciativa, pretende inscrever cinco projetos no novo edital para responder questões ainda nebulosas. “Nós estamos suspeitando que não só nas crianças, nos fetos, mas nas pessoas adultas. Quais as consequências no adulto de ter uma infecção por zika vírus? Ele pode desenvolver doenças como problemas no coração, problemas no sistema nervoso central? Por que se aumentou muito a síndrome de Guillain-Barré no País e que tipo de mecanismo que o vírus utiliza para atacar as células. Tudo isso tem que ser compreendido”.

Gubio Soares espera que a prática, classificada como emergencial pelo Governo, abra um precedente posivito de incentivo à pesquisa no Brasil também para outras áreas.

*Informações da repórter Carolina Ercolin