“El Niño” volta a definir temporada ciclônica menos ativa no Atlântico

  • Por Agencia EFE
  • 01/06/2015 13h23

Emilio J. López

Miami (EUA.), 1 jun (EFE).- O fenômeno do “El Niño”, causado pelo aquecimento das águas do Pacífico, volta a ser, da mesma forma que em 2014, um fator-chave na menor atividade ciclônica prevista para o Atlântico nesta temporada, que começa oficialmente nesta segunda-feira, destacou à Agência Efe um meteorologista americano.

Apesar do “El Niño” ter determinado uma temporada “relativamente tranquila” em 2014, é neste ano quando se encontra em “completo desenvolvimento”, segundo precisou Lixion Ávila, meteorologista do Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.

Os ventos cortantes e os padrões de pressão atmosférica causados pelo “El Niño” tendem a inibir o desenvolvimento de furacões na Bacia Atlântica, mas, como advertiu Ávila, “só é preciso um furacão” para que o efeito possa ser devastador e catastrófico para a população.

Assim como aconteceu em 1992, uma temporada na qual os meteorologistas apontaram para sete tempestades, mas que o poderoso furacão de categoria 5 Andrew, com ventos de mais de 252 km/h, varreu as cidades de Homestead e Flórida City, nos Estados Unidos.

O cômputo final: 15 mortos, 25,5 mil casas destruídas, danos a outras 100 mil e 25 mil pessoas sem-teto, além de um dano no valor de US$ 25 bilhões.

“Foi o pior desastre natural que ocorreu no sul da Flórida”, disse o cientista.

“É preciso estarmos preparados e termos um plano de emergência. Tivemos dois anos com menos atividade, mas esses são ciclos que vão e vêm”.

Segundo as previsões publicadas em 27 de maio pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (NOAA), está prevista a formação de seis a 11 tempestades tropicais, das quais entre três e seis derivariam em furacões, quando em uma temporada média são formadas 12 tempestades e seis furacões.

A Flórida se livrou nos últimos dez anos do impacto direto de um furacão. O último que castigou o sul da península foi Wilma, em 2005, o que pode criar uma falsa sensação de segurança entre a população, um erro sobre o qual alertam as autoridades.

Em agosto também é lembrado o 10° aniversário da passagem do devastador furcão Katrina, considerado o desastre natural mais custoso da história dos Estados Unidos.

Katrina matou 1.833 pessoas e causou danos no valor de US$ 108 bilhões, após atingir em 2005 o sudeste da Louisiana.

Os últimos dois anos foram de pouca atividade ciclônica. Em 2014, foram registrados apenas dois furacões (nenhum de categoria maior), e a temporada de 2013 foi a mais tranquila desde 1994, com só duas tempestades transformadas em ciclones de categoria 1.

No entanto, Ávila pediu à população, especialmente aos que residem em zonas litorâneas, “perto da praia”, que “saibam o que fazer e tenham um plano de evacuação” se algum furacão se aproximar, e “não se deixem levar pelo pânico”.

Em abril passado, os meteorologistas da Universidade Estadual do Colorado (CSU) predisseram a formação de sete tempestades tropicais e três furacões, entre os quais pelo menos um se transformaria em ciclone de categoria maior na escala de intensidade Saffir-Simpson, de um máximo de 5.

De fato, os especialistas desta instituição acadêmica preveem que a temporada de furacões na bacia atlântica seja uma das “menos ativas” desde meados do século XX.

Baseada na média registrado entre 1981 e 2010, uma temporada de furacões normal é aquela na qual são formadas 12 tempestades tropicais e seis furacões, dos quais três alcançam a categoria maior.

Neste ano, a tempestade Ana formada em 8 de maio inaugurou antes do habitual a temporada de ciclones no Atlântico, que termina em 30 de novembro.

Os próximos cinco nome de tempestades para a bacia atlântica são: Bill, Claudette, Danny, Erika e Fred. EFE

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