Eleições podem ajudar Tailândia a sair de crise e acabar com protestos

  • Por Agencia EFE
  • 30/01/2014 15h37

Marco Zabaleta.

Bangcoc, 30 jan (EFE).- Os tailandeses vão às urnas neste domingo divididos por uma profunda crise política que perdura desde o golpe militar de 2006, e após meses de protestos nas ruas de Bangcoc, capital do país, contra o atual governo.

A primeira-ministra Yingluck Shinawatra, os Estados Unidos e outros diversos países apresentam opiniões similares quanto à importância deste pleito, admitindo que pode ser a saída da crise.

Nas eleições, no entanto, não concorrerão todas as correntes políticas tailandesas. O Partido Democrata, principal força oposicionista, por exemplo, não apresentou nenhum candidato.

Há previsão de que centenas de milhares de pessoas, que participam dos protestos comandados por Suthep Thaugsuban, vice-primeiro-ministro entre 2008 e 2011 e que pertence ao Partido Democrata, boicotarão o pleito, cobrando que antes haja reforma no sistema político.

O grupo ligado a Thaksin Shinwatra, deposto no golpe militar de 2006, e irmão mais velho de Yingluck, venceu todas as eleições realizadas no país desde 2011.

“Não há uma saída clara. Mas há formas de criar uma situação ruim e potencialmente catastrófica, e uma delas é rejeitar as eleições”, afirmam analistas do centro de pesquisa International Crisis Group.

“Também é ruim a propensão de alguns dirigentes em conseguir, com a pressão das massas, frequentemente violenta, o que não podem obter com o mandato popular. Ainda mais porque a Tailândia precisa de liderança para que haja um diálogo nacional participativo que recoloque o país no caminho da estabilidade”, declaram representantes do mesmo órgão.

A primeira-ministra do país rejeitou desde o início o uso da força contra os manifestantes, e em 9 de dezembro dissolveu o Parlamento, convocando eleições para o dia 2 de fevereiro. Antes, ao longo de vários meses, Yingluck e Suthep sentaram diversas vezes em mesas de negociação.

Faltando duas semanas para o pleito, o governo declarou estado de exceção em Bangcoc e arredores pelo aumento da violência relacionada com os protestos.

Suthep mantém em suas reivindicações a formação de um conselho popular não-eleito, de 400 membros, que modifique o sistema político em 12 ou 15 meses para acabar com a corrupção, para assim eliminar da Tailândia o que ele chama de “regime de Thaksin”.

Thaksin é membro de uma rica família do norte da Tailândia que chegou a coronel da polícia e forjou um império empresarial que o tornou um dos homens mais ricos do país antes da entrada na política com partido próprio. Em 2001 venceu as eleições com um programa considerado populista, que hoje é copiado até pela oposição.

Sua forma de governar, quase sem pisar no Parlamento e com políticas controvertidas, como a luta contra o narcotráfico que causou cerca de 2.500 mortos em poucos meses de 2003, lhe valeu o apelido na imprensa de “Berlusconi asiático”, e a reeleição em 2005, apesar das críticas.

A venda milionária que Thaksin fez, de um conglomerado familiar isento de impostos, em janeiro 2006, suscitou uma onda de protestos, que acabou resultando em uma tomada de poder por parte do exército.

O governo golpista reformou a Constituição e o sistema político, cassou os direitos políticos de Thaksin e de uma centena de aliados por cinco anos, e convocou eleições para o fim de 2007, que acabou vencida pelo grupo político do magnata.

Em 2008, o ex-primeiro-ministro, que chegou a comprar o Manchester City, para vendê-lo logo depois, foi condenado à revelia a 24 meses de prisão por abuso de poder.

O novo governo pró-Thaksin não completou um ano e foi dissolvido em dezembro de 2008, após grandes manifestações que chegaram a paralisar dois aeroportos de Bangcoc.

O Partido Democrata, na oposição, tomou as rédeas e governou até 2011, enfrentando as manifestações dos chamados “camisas vermelhas”, partidários de Thaksin, e de novo modificou o sistema político antes das eleições.

Em 2011, o magnata, então morando em Dubai, nos Emirados Árabes, recorreu à irmã Yingluck, novata na política, para que liderasse o partido até a vitória.

Como primeira-ministra, Yingluck governou com tranquilidade os primeiros anos até que surgiram os protestos atuais, quando tentou passar uma anistia, que acabou rejeitada, que poderia ter aberto as portas para o retorno de seu irmão.

Suthep aproveitou então a conjuntura para lançar sua “cruzada” contra Thaksin. EFE