Elizabeth II se tornará amanhã monarca que reinou por mais tempo no R. Unido

  • Por Agencia EFE
  • 08/09/2015 13h00

Almudena Domenech.

Londres, 8 ago (EFE).- Elizabeth II já é a rainha mais velha do mundo, aos 89 anos, e amanhã, dia 9 de setembro, também se tornará a monarca que reinou por mais tempo no Reino Unido, superando a marca ostentada até então pela rainha Victoria.

Porém, a façanha será celebrada de maneira discreta. “O dia será focado em sua participação em um evento na Escócia”, declarou à Agência Efe um porta-voz do Palácio de Buckingham, ao ser perguntado se uma data tão relevante teria alguma comemoração especial.

Na agenda do site da Coroa britânica só há detalhes sobre esse dia em que a monarca comparecerá com a ministra principal da Escócia, Nicola Sturgeon, do Partido Nacionalista Escocês, à inauguração de uma linha de trem que simbolicamente chega até a fronteira entre ambos os países, envolvidos em um debate independentista.

A rainha, que tradicionalmente passa o mês de setembro em sua residência escocesa de Balmoral, já celebrou com ostentação em 2012 o 60º aniversário de sua chegada ao trono – dia 6 de fevereiro de 1952 – e no ano seguinte o aniversário de sua coroação.

Apesar de não haver festejos desta vez, é evidente que para ninguém passará despercebido que em 9 de setembro de 2015 a chefe do Estado britânico ultrapassará a marca registrada pela tataravó, que reinou durante 23.226 dias, 16 horas e 23 minutos, um total de mais de 63 anos, segundo cálculos do Palácio de Buckingham.

O posto de monarca mais velha da história do Reino Unido se explica porque a rainha Victoria (1819-1901) viveu até os 81 anos. O título de Elizabeth II ainda pode se tornar mundial, após a morte em janeiro do rei saudita Abdullah bin Abdul Aziz al Saud, aos 90 anos.

Elizabeth II, que chegou ao trono em 1952 após a morte de seu pai, George VI, supera em idade o sultão da Malásia, Abdul-Halim Muadzan, e o rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej.

O Reino Unido conta também com o sucessor ao trono mais velho da história britânica, o príncipe Charles, a ponto de completar 68 anos e conhecido como o “eterno herdeiro” de uma rainha que pode seguir no trono até o último suspiro da vida.

O pesquisador Martin Willis, da Universidade de Westminster, que pesquisou esse evento, detalhou à Efe alguns paralelismos entre duas monarcas de grande personalidade.

“É importante que tanto Victoria como Elizabeth sejam mulheres. Ambas promoveram a independência das mulheres, mas também representaram pontos de vista conservadores”, analisou.

Victoria, por exemplo, liderou o Império, mas também era esposa e mãe, e as pinturas e fotografias a mostram frequentemente na posição da mulher na família. Elizabeth continuou essa tradição conservadora, mas, quando era princesa, assumiu seu papel na guerra e foi amplamente fotografada com seu uniforme.

“Ambas as rainhas passaram por crise familiares que ameaçaram a monarquia. Victoria foi vista muito afastada de seus súditos nos meses após a morte de seu marido, Albert. Além disso, a atual rainha foi muito criticada por sua aparente frieza e distância no período imediatamente posterior à morte da princesa Diana”, disse.

Ao longo de duas regências tão longas, ambas viveram grandes mudanças. Desse modo, segundo Willis, uma “supervisionou a industrialização da nação e suas consequências”, e a outra “a enorme evolução da informática e do mundo digital, que nos levou a uma “comunidade verdadeiramente global”.

A historiadora britânica Kate Williams opinou que a longa duração do reinado de Elizabeth II injetará força à soberana, visto que começou a reinar com 25 anos, mais velha que Victoria, que chegou ao trono aos 18.

“Isso mostra que nossas rainhas são as que mais duram. A longevidade de Elizabeth II é uma de suas grandes fontes de força e popularidade. Ela viveu a Segunda Guerra Mundial e a maior parte do século XX”, declarou.

De acordo com Williams, “Elizabeth II é a única monarca que muita gente conhece”, razão que provavelmente levará muitos a comemorarem nas ruas do Reino Unido uma data tão marcante. EFE