Em desfile planejado por Xi Jinping, China mostra que é potência militar

  • Por Agencia EFE
  • 03/09/2015 13h20

Rafael Cañas.

Pequim, 3 set (EFE).- A China do presidente Xi Jinping se apresentou nesta quinta-feira como uma grande potência militar, durante o grande desfile pelo 70º aniversário do final da Segunda Guerra Mundial, evento que também pretendeu cimentar internamente sua nova imagem, a de um país poderoso na cena mundial.

Diante de chefes de estado de cerca de 30 países, nenhum ocidental, e ao som de bandas e coros que interpretaram temas militares e patrióticos, 12 mil soldados, 500 veículos, mísseis e 200 aeronaves marcharam pela avenida da Paz Eterna (Chang An), na simbólica Praça da Paz Celestial.

Xi lembrou em seu discurso que os oito anos de guerra (1937-45) deixaram 35 milhões de mortos e feridos na China, mas terminaram com “a primeira vitória completa” do país nos tempos modernos.

E em tom decididamente nacionalista lembrou que a derrota japonesa “pôs fim à humilhação nacional da China” por agressores externos por um século, questão que ainda persiste na mentalidade chinesa.

Após o discurso de Xi, desfilaram durante 50 minutos unidades de soldados (incluindo mil estrangeiros), veículos blindados, unidades de mísseis, foguetes convencionais e nucleares, drones, aviões e helicópteros de todas as forças armadas.

Uma boa parte dos sistemas de armamento, da última geração Y, foram mostrados em público pela primeira vez, como o míssil antinavios DF-21D e o bombardeiro de alcance médio H-6K, que dotam as forças chinesas de capacidades ofensivas que nunca antes tinham tido.

As unidades marcharam por uma Praça da Paz Celestial coroada de bandeiras vermelhas, com arquibancadas de espectadores montadas em frente à entrada da Cidade Proibida, onde estavam Xi e seus convidados, posicionados acima do retrato de Mao Tsé-tung que preside permanentemente a porta.

O público – que respondeu exclusivamente ao convite oficial e suportou horas debaixo do sol por questões de segurança – fez fotos e selfies com as novidades da tecnologia bélica nacional e com a fotogênica porta da Cidade Proibida de fundo.

Os grandes desfiles em dias específicos ficaram relegados aos países comunistas ou que o foram (como a Rússia fez em 9 de maio pelo mesmo motivo), e continuam a mostrar uma preocupação detalhista pelo simbolismo e pela iconografia. Em Pequim a marcha foi encerrada com milhares de pombas e balões pela paz soltos no céu.

Entre os dirigentes estrangeiros se destacou o presidente russo, Vladimir Putin, que foi posicionado em um lugar de destaque e que recebeu ovações do público. Ele foi o líder estrangeiro mais importante de um evento ignorado pelos dirigentes ocidentais.

Além de Putin estiveram presentes os presidentes de África do Sul, Belarus, Cazaquistão, Egito e Venezuela. Vários dos líderes que participaram da cerimônia comandam regimes autocráticos e, no caso do Sudão, seu presidente, Omar Hassan Ahmad al Bashir, é reivindicado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por genocídio.

O desfile aconteceu unicamente para os poucos milhares de convidados e para os espectadores da China e do resto do mundo, já que os moradores de Pequim foram instruídos a não assistir da rua a passagem das unidades nem olhar pelas janelas.

As medidas de segurança foram realmente draconianas, e as ruas de Pequim ficaram praticamente vazias para receber um evento em que as autoridades não economizaram, declarando dois dias de feriado (hoje e amanhã) e fechando milhares de fábricas e obras da região para reduzir a poluição e conseguir um céu azul radiante.

O evento foi, sobretudo, uma demonstração de força do governo chinês, e concretamente do presidente Xi, que, além de mostrar ao mundo as novidades em tecnologia bélica própria, quis, principalmente, mostrar internamente a força de seu poder político e militar.

Um objetivo não previsto inicialmente se tornou devolver o orgulho à população após as explosões do porto de Tianjin, que voltaram a revelar a pouca segurança do rápido desenvolvimento industrial e a corrupção do país, mas também pelas graves crises dos mercados financeiros, que colocaram em xeque a solidez da economia chinesa e a maturidade de suas bolsas.

Este desfile foi o primeiro com a presença de um presidente da China junto de seus dois antecessores. Hu Jintao e Jiang Zemin foram bem recebidos pelo público quando apareceram nos telões montados ao longo do percurso. EFE

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