Em meio a enfraquecimento econômico, China promove abertura de setor público

  • Por Agencia EFE
  • 14/09/2015 11h20

Paloma Almoguera.

Pequim, 14 set (EFE).- O governo chinês apresentou nesta segunda-feira um plano para impulsionar a liberalização das empresas estatais, que foram um empecilho nos últimos anos por sua limitada produtividade, em meio à redução do ritmo do crescimento econômico do país.

“Criaremos as condições para que as empresas estatais (SOEs) participem do mercado como atores independentes em igualdade de condições”, afirmou hoje Zhang Xiwu, vice-presidente da Comissão para a Supervisão de Ativos Estatais (SASAC) à imprensa, em Pequim.

Zheng informou sobre algumas mudanças contempladas pelo plano, que foi elaborado em conjunto pelo Comitê Central do Partido Comunista (PCCh) e pelo Conselho de Estado (governo).

Nele se aposta na modernização das SOEs através de modelos de propriedade mista e da entrada de capital privado, com o objetivo de as tornarem “independentes e responsáveis por seus lucros, perdas e riscos”.

A iniciativa pretende revigorar um dos pilares da economia nacional, são 150 mil empresas estatais registradas na China – que somam US$ 15,69 trilhões em ativos e contam com 30 milhões de trabalhadores, mas que frearam o crescimento do país por sua produtividade limitada.

Assim, nos primeiros sete meses do ano, os lucros das SOEs caíram 2,3% anualizado, um retrocesso que o governo quer evitar ao promover sua saída à bolsa, encorajando ainda empresas não estatais a participarem comprando ações, por exemplo, que também poderão ser adquiridas pelos próprios funcionários.

Segundo Zhang, o objetivo é fazer com que as companhias sejam “criativas e possam fazer frente a rivais internacionais”.

Embora não tenha sido revelado um roteiro com datas para o início das reformas, a pretensão das autoridades é que esses resultados possam ser vistos em 2020.

O plano foi apresentado pouco antes da iminente visita do presidente Xi Jinping aos Estados Unidos, que pretende acabar com as dúvidas sobre um eventual arrefecimento da economia chinesa, a mesma de empresários estrangeiros, sobretudo dos EUA e da União Europeia, que já tinham pedido mais acesso ao mercado chinês.

No entanto, essas medidas não significarão que o Partido Comunista deixará de controlar as empresas, bem ao contrário. “Reforçaremos e melhoraremos a liderança do Partido sobre as SOEs”, ressaltou Zhang.

Outro objetivo é torná-las ainda maiores, apesar do risco que de isso dificultar sua dinamização, e fazer com que setores-chave estejam representados por gigantes que possam competir internacionalmente.

Como parte disso, as barqueiras Cosco e China Shipping anunciaram sua fusão em agosto, dois meses depois de dois maiores fabricantes de material ferroviário da China consolidarem sua fusão em uma companhia chamada CRRC, que buscará concorrer no mercado mundial de trens de alta velocidade.

Além disso, as empresas serão divididas em duas categorias: empresas de lucros, com um enfoque de mercado, e empresas dedicadas ao bem-estar público.

A divisão também prevê que 30% dos lucros das SOEs sejam utilizados para melhorar a vida da população em 2020.

As companhias de petróleo, gás, eletricidade, ferroviárias e telecomunicações são identificadas no plano como setores aptos para um investimento não estatal ilimitado, para torná-las “mais fortes, melhores e maiores”, apontou a iniciativa.

No entanto, muitas dessas grandes empresas, em particular as vinculadas às indústrias de carvão e de aço, sofrem com um frequente excesso de capacidade e se beneficiam de créditos e de outras vantagens em relação às companhias privadas.

O plano afirma que a reforma será supervisada de perto para prevenir o abuso de poder e a erosão de ativos, e que será estabelecido um mecanismo para informar sobre possíveis violações de normas, corrupção e desvios.

A iniciativa tinha sido antecipada por alguns meios de comunicação chineses, como o jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, que comentou mês passado dos planos do governo em pleno vaivém das bolsas do país.

O anúncio também buscar ser uma resposta aos dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE) no domingo, piores do que o esperado, sobre a produção industrial e de investimento em agosto, o que confirmou as dificuldades que a economia chinesa atravessa para atingir a meta de 7% de crescimento em 2015. EFE

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