Em meio a escândalo, espionagem alemã limita cooperação com EUA

  • Por Agencia EFE
  • 14/05/2015 15h27

Berlim, 7 mai (EFE).- A inteligência alemã restringiu drasticamente a cooperação com a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, enquanto se investiga a suposta cooperação na espionagem a empresas e governos aliados.

Segundo informações do jornal “Süddeutsche Zeitung” e das emissoras públicas “NDR” e “WDR”, desde o início desta semana foi interrompida a transferência de capturas de dados na internet entre ambos os serviços.

As operações eram feitas até então na base do Serviço federal de Inteligência (BND) em Bad Aibling (Baviera), ponto escolhido para a cooperação entre os respectivos serviços de espionagem desde os acordos assinados em 2002, após os atentados de 11 de setembro em Nova York.

A cooperação foi interrompida por causa do escândalo da espionagem em massa, a cidadãos e governos aliados, que repercutiu em 2013 após as revelações do ex-analista da CIA, Edward Snowden.

O caso tomou novo rumo com as informações divulgadas nos últimos dias pela imprensa alemã, segundo a qual o BND teria ajudado a NSA ativamente na espionagem a aliados e empresas.

É estimado que a espionagem americana tenha cerca de dois mil alvos claros, incluindo instituições e governos europeus, cujas comunicações continuavam sistematicamente através das capturas realizadas equipe mista de 120 técnicos do BND e da NSA em Bad Aibling.

Essas informações da imprensa foram confirmadas pelo membro da oposição dos Verdes na comissão parlamentar que investiga o caso, Konstantin von Notz, em declarações à televisão pública “ARD” nesta quinta-feira.

O escândalo da cooperação entre Alemanha e EUA pesa sobre a chanceler Angela Merkel, que foi pressionada pelos parceiros de coalizão sociais-democratas para esclarecer a situação e se mostrou disposta a falar diante da comissão parlamentar.

Os ministros de Interior, Thomas de Maizière, e da Chancelaria, Peter Altmaier, compareceram ontem à comissão de segredos oficiais, em meio à crescente pressão para que seja divulgada a lista dos dois mil alvos da NSA.

A sessão da comissão de segredos oficiais foi feita a portas fechadas, mas, ao término, De Maizière afirmou à imprensa que a lista desses dois mil supostos alvos não contém dados de empresas, principal foco de tensão na Alemanha.

O vice-chanceler e ministro da Economia, Sigmar Gabriel, havia pedido para a chefe de governo esclarecer o caso, com o argumento de que afeta os interesses indústria alemã que ele deve defender. EFE