Emissora do Burundi interrompe transmissão após confrontos
Bujumbura, 14 mai (EFE).- A emissora de rádio e televisão nacional do Burundi (RTNB) interrompeu as transmissões nesta quinta-feira depois dos violentos confrontos nos arredores de sua sede entre os partidários do presidente, Pierre Nkurunziza, e os militares golpistas.
O restante das rádios privadas burundinesas também deixaram de transmitir e foram fechadas, segundo informou a imprensa local.
O Burundi está imerso no caos depois que o exército tentou derrubar Nkurunziza ontem para acabar com a onda de violentos protestos contra a decisão do líder se candidatar às eleições presidenciais de junho.
Antes do fechamento da emissora, a RTNB transmitiu uma mensagem do presidente e do Chefe do Estado-Maior do exército, Prime Niyongabo, que pediu aos militares que ponham fim à insurreição.
O presidente, que ainda está na Tanzânia, ligou por telefone à emissora para dizer que a tentativa golpista fracassou e para pedir que os cidadãos mantenham a calma.
Outros veículos da imprensa do país, como “Isanganiro”, “Bonesha”, “RPA” e “Rennaissance TV” também interromperam as transmissão após sofrerem diferentes ataques.
A rádio privada “Bonesha”, que transmitiu o discurso do general Godefroid Niyombare, no qual anunciava a queda do presidente, foi atacada na noite de quarta-feira com artilharia e desalojada pelos militares nesta manhã, segundo anunciou a emissora em sua conta no Twitter.
Nesta quinta-feira, em Bujumbura, os manifestantes não saíram às ruas, que permanecem vazias e com muitas lojas fechadas após os diversos tiros e explosões escutados no centro da capital desde a madrugada.
Ao longo das últimas duas semanas, pelo menos 20 pessoas morreram nos protestos contra as candidatura do presidente a um terceiro mandato, o que, segundo a oposição, é proibido pela Constituição do país.
A candidatura de Nkurunziza gerou temor em grande parte da população do Burundi, que a menos de uma década saiu de uma guerra civil (1993-2005) que afundou o país. EFE
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