Empresários dos EUA pedem mais agressividade em aproximação com Cuba
Cidade do Panamá, 9 abr (EFE).- Os empresários americanos veem agora a “oportunidade para avançar de forma mais agressiva” na aproximação com Cuba, um país no qual estão interessados há “muito tempo”, afirmou nesta quinta-feira no Panamá o presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Tom Donahue.
“Estivemos trabalhando para ter relações mais abertas (com Cuba) para permitir que as pessoas possam viajar de ida e volta, e vimos algo de bom nisso, mas agora temos uma oportunidade para avançar de uma forma mais agressiva”, declarou Donahue em entrevista coletiva no marco da II Cúpula Empresarial das Américas.
Donahue falou que na ilha há investimentos de países do continente americano, europeus e asiáticos, porque em Cuba “há espaço” para o investimento.
“Uma das coisas que disse aos empresários americanos” é que em Cuba “há espaço” para o investimento, “portanto vão ter de ir concorrer com espanhóis, canadenses, alemães, chineses e todos os demais que estejam fazendo negócios em Cuba”.
Donahue assinalou que a aproximação com Cuba deve estar emoldurada no interesse dos Estados Unidos de “fortalecer as relações” com as Américas em todos os âmbitos, não só o econômico.
“Nosso interesse (em Cuba) é similar ao interesse que temos no resto das Américas (…) com o que ocorre hoje no mundo e com as extraordinárias vantagens que encontramos agora, com petróleo e gás, este é o momento para nós de fortalecer a relação com as Américas”, considerou.
A II Cúpula Empresarial é um dos quatro foros oficiais prévios à VII Cúpula das Américas que começará amanhã com a presença, pela primeira vez na história, de Cuba.
Um dos momentos mais esperados da reunião hemisférica, que terminará no próximo sábado, é a saudação entre os presidentes americano, Barack Obama, e cubano, Raúl Castro.
Os dois anunciaram em dezembro do ano passado o início de um processo de reatamento das relações bilaterais, e nesta quinta-feira Obama anunciou que “já foi concluída” a revisão da inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo.
Por sua vez, Donahue afirmou nesta quinta-feira na capital panamenha que “após 50 e tantos anos” de tensas relações com Cuba, que incluem o bloqueio econômico à ilha, é uma “boa ideia contar com algo diferente, porque o que estivemos fazendo não funcionou”.
“Recomendamos que eliminemos as sanções a Cuba”, sugeriu o presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos.
Da cúpula empresarial também participa o ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba, Rodrigo Malmierca, que lidera uma delegação que inclui cooperativistas e trabalhadores autônomos, de acordo com informação cubana.
Malmierca e Donahue se encontraram no marco do fórum empresarial, segundo confirmou o funcionário cubano aos jornalistas, sem que informasse sobre o conteúdo da reunião.
“Ele (Donahue) expressou publicamente em outras ocasiões sua rejeição a esta política de bloqueio. A política do bloqueio vai contra não só Cuba e o povo cubano, mas também contra a vontade de negócio dos empresários dos EUA”, declarou Malmierca aos jornalistas. EFE
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