Envolvidos em estupro coletivo no Piauí não deveriam ficar juntos, diz promotor

  • Por Agência Brasil
  • 17/07/2015 19h51
***ENSAIO ESPECIAL FOLHAPRESS*** NÃO COMERCIALIZAR/ENVIAR OU AUTORIZAR USO DAS FOTOS DE FRANKLIN FURTADO OU A REPRODUÇÃO DA GAROTA DANYELLE **** CASTELO DO PIAUÍ, PI, 11.06.2015: VIOLÊNCIA-PI: O Jovem Franklin Furtado Sales, 22; mostra o lugar onde ele encontrou as meninas apos subir o Morro do Garrote com alguns companheiros. Quando as jovens foram dadas como desaparecidas nos arredores do morro, a mãe de Franklin ligou para ele para que ele ajudasse na busca já que conhece muito bem a região e, segundo ele, os policiais se negaram a entrar no mato. As jovens foram jogadas de uma altura de aproximadamente 10 metros (de onde a foto foi feita). Jovens adolescentes (B.F.O, 15 anos, G.V.S., 17 anos, I.V.I, 15 anos, e J.S.R, 16 anos) raptaram, e violentaram coletivamente quatro garotas (duas de 15, uma de 16 e uma de 17 anos) no final da tarde de 27 de maio, e depois as amarraram e as jogaram de um desfiladeiro, com intuito de matá-las. Eles são acusados de raptar, estuprar e tentar matar quatro meninas (duas de 15, uma de 16 e uma de 17 anos) no final da tarde de quarta-feira da semana passada, 27 de maio. O crime imputado aos jovens e ao desempregado Adão José de Sousa, 40 anos, gerou revolta na cidade, que ainda vive clima de luto. Todas as quatro vitimas continuam internadas em estado delicado. (Foto: Fabio Braga/Folhapress). Fabio Braga/Folhapress Luto em escola de Castelo do Piauí

O promotor responsável pelas investigações do estupro de quatro meninas na cidade de Castelo do Piauí, a 190 quilômetros de Teresina, disse hoje (17) que os adolescentes envolvidos no caso não deveriam ficar internados juntos. Cezário de Souza Cavalcante disse que o rapaz morto na madrugada desta sexta-feira, no alojamento do Centro Educacional Masculino (CEM), na capital piauiense, sofria ameaças dos três jovens que participaram do crime.

“O menor morto foi o que delatou o crime para a polícia. Primeiro, todos os quatro menores confessaram, no inquérito, para o delegado. Mas depois três deles mudaram a versão e ameaçaram o adolescente, que foi morto nessa madrugada”, disse Cezário Cavalcante à Agência Brasil.

O adolescente, de 17 anos, era o mais velho dos quatro rapazes. Os demais têm entre 15 e 17 anos. De acordo com o governo do Piauí, apesar deles terem sido colocados em salas separadas dos outros internos do CEM, por questão de segurança, o joven foi morto após briga entre eles.

Cezário ressaltou que os quatro jovens, após serem apreendidos em flagrante, foram internados separadamente e só voltaram a ficar juntos após o juiz determinar as medidas socioeducativas que deveriam cumprir e serem levados para o CEM.

Quando os menores estavam no Centro de Internação Provisória, o promotor conseguiu separá-los. o que foi morto hoje ia para as audiências separado dos demais. Todo tempo ele ficava separado dos outros menores, destacou Cezário. Depois, quando foram para o CEM, deixaram os quatro na mesma cela, apesar das ameaças anteriores de morte, acrescentou.

O governo do Piauí informou, em nota, que os procedimentos determinados pelos juízes da Infância e Juventude e pelo Ministério Público foram “rigorosamente obedecidos”. Segundo o governo, o  “acontecimento dessa madrugada se deu entre os próprios adolescentes envolvidos no crime, após desentendimento entre eles”.  Após a morte do adolescente, os outros três envolvidos no estupro e suspeitos da morte do colega foram removidos para a Central de Flagrantes, para apuração dos fatos que motivaram o crime.

Os adolescentes participaram, junto com um homem de 40 anos, segundo a denúncia do Ministério Público, do estupro de quatro meninas no fim de maio, em Castelo do Piauí. As adolescentes, com idade entre 15 e 17 anos, foram encontradas pela Polícia Civil violentadas e desacordadas em local próximo a um penhasco. Uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu. As investigações mostraram que as meninas foram abordadas, amarradas e amordaçadas, sofreram violência sexual e foram jogadas de cima do penhasco de mais de seis metros de altura.