Equador renova apoio a Assange, há dois anos asilado na embaixada em Londres

  • Por Agencia EFE
  • 19/06/2014 18h39

Judith Mora.

Londres, 19 jun (EFE).- O governo do Equador renovou nesta quinta-feira o apoio ao fundador do site Wikileaks, Julian Assange, refugiado há dois anos na embaixada equatoriana em Londres, enquanto ele garantiu que, apesar das circunstâncias difíceis, não se renderá.

O ministro de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, assinalou que o respaldo do Equador ao jornalista e ciberativista, que tem um pedido de extradição aberto pela Suécia e é investigado pelos Estados Unidos, durará “todo o mandato” do atual presidente, Rafael Correa, ao seja, até 2017.

Sobre o que acontecerá depois da mudança de governo no Equador, Patiño disse que não pode “adivinhar o futuro”.

Patiño e Assange participaram de uma entrevista coletiva conjunta em Quito e Londres, respectivamente, por videoconferência, lembrando o segundo ano de asilo do australiano. Assange afirmou nunca ter pensado em se entregar, e garantiu que não o fará. Ele está desde 2012 asilado na embaixada equatoriana em Londres para evitar a extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais.

Patiño lamentou que, dois anos após sua entrada na embaixada o caso ainda não tenha sido resolvido e disse temer que, caso seja extraditado à Suécia, o país o entregaria aos Estados Unidos, onde é acusado pelo vazamento de comunicações diplomáticas e outros documentos confidenciais pelo Wikileaks.

Patiño denunciou que uma comissão de juristas britânico-equatoriana que deveria ter sido formada há um ano para tentar encontrar uma solução diplomática “nem sequer começou”, já que não houve acordo com o governo do Reino Unido sobre quais seriam seus objetivos.

O executivo britânico se nega a conceder a Assange o salvo-conduto diplomático necessário para que ele possa deixar a embaixada, vigiada 24 horas por dia pela polícia local – um custo para os cofres públicos que já chegou a mais de seis milhões de libras – para viajar para o Equador, que concedeu a ele asilo político.

E ainda, segundo o ministro, a Suécia recusaa possibilidade de interrogar Julian Assange na embaixada ou em território equatoriano.

“Como Estado equatoriano, fizemos o que podíamos”, ressaltou Patiño, que pediu à “sociedade civil e aos jornalistas do mundo todo” que denunciem a violação dos direitos humanos do fundador do Wikileaks.

Assange, de 42 anos, novamente afirmou estar disposto a ir até a Suécia “nas condições adequadas”: quando o país der garantias de que não o entregará aos Estados Unidos.

Por enquanto, seus assessores informam que “ainda há risco” de acabar nos EUA se viajar, e o problema é que pode enfrentar uma situação semelhante a de Chelsea Manning, o soldado que vazou a informação ao Wikileaks em 2010 e que foi condenado a 35 anos de prisão.

O site fundado por Assange divulgou em 2010 milhares de comunicações diplomáticas dos Estados Unidos que irritaram governos de todo o mundo, deixaram os americanos em uma saia justa e também revelaram abusos das forças americanas no Iraque e Afeganistão.

Assange se apresentou hoje à imprensa de terno azul escuro, gravata grená e tênis esportivos, calvo e com a barba por fazer. Ele parecia bem, apesar da palidez que evidenciada pela falta de luz natural.

Ele pediu ao procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, que “anule a maior investigação criminal da história contra um editor” e assinalou que, se não podem fazer o certo, “deveria renunciar”.

Patiño criticou também “o clamoroso silêncio” de alguns dos principais veículos do mundo, como o alemão “Der Spiegel”, o francês “Le Monde”, o espanhol “El País”, o americano “New York Times” e o inglês “Guardian”, que publicaram, muitas vezes com estardalhaço, publicaram os vazamentos do Wikileaks e que, para ele, abandonaram Julian Assange no cativeiro.EFE

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