Equipes elaboram mapa prelimiar do proteoma humano

  • Por Agencia EFE
  • 28/05/2014 15h15

Londres, 28 mai (EFE).- Duas equipes internacionais elaboraram de forma paralela um mapa preliminar do proteoma humano, o catálogo detalhado da totalidade das proteínas que o organismo é capaz de sintetizar a partir de seus genes.

Cientistas da Universidade Técnica de Munique (TUM), na Alemanha, e da Escola de Medicina Johns Hopkins de Baltimore (EUA) apresentam em artigo no último número da revista “Nature” as conclusões de seus respectivos trabalhos, que revelam dezenas de novas proteínas com propriedades e funções ainda desconhecidas.

Ambos os grupos identificaram cerca de 18 mil proteínas após analisar mais de 84% dos 20.687 genes com capacidade para codificar proteínas que predizem as análises do genoma.

Os resultados das duas pesquisas estão à disposição da comunidade científica em bases de dados abertas através de internet, uma extensa fonte de informação que servirá tanto para avançar em pesquisa básica como para acelerar a experimentação em medicina.

“Utilizamos uma metodologia muito similar e alcançamos conclusões parecidas, mas não competimos entre os dois grupos. Parece que este era o momento adequado para que alguém fizesse este trabalho”, afirmou à Agência Efe o bioquímico Bernhard Küster, responsável do grupo alemão.

Os genes determinam grande parte das características de um organismo graças às instruções que fornecem para fabricar proteínas, os blocos que constroem os tecidos vivos.

Por essa razão, os pesquisadores consideram que um mapa das proteínas humanas que detalhe sua localização pode ser tão ou mais útil que os catálogos de genes.

No campo dos tratamentos contra o câncer, “sabe-se a partir dos estudos genéticos que cada tumor é particular e que se pode encontrar tratamentos específicos”, explicou Küster.

“Achamos que isso mesmo poderá ser feito dentro de alguns anos a partir das proteínas, que são agentes essenciais nos processos celulares”, sustentou o bioquímico.

Akhilesh Pandey, responsável da equipe do Johns Hopkins, ressaltou por sua parte que seu grupo detectou 193 novas proteínas que procedem de regiões do genoma nas quais não estava previsto que se sintetizassem, o que, a seus olhos, sugere que “o genoma humano é mais complexo do que se pensava até agora”.

Os pesquisadores não puderam localizar cerca de 2 mil proteínas que segundo o mapa genético deveriam existir, o que poderia apontar que apenas são sintetizadas durante o desenvolvimento embrionário.

“É possível apresentar o corpo humano como uma grande biblioteca na qual cada proteína é um livro. A dificuldade é que não contamos com catálogos completo que nos detalhe quais livros estão disponíveis e onde encontrá-los. Agora temos uma boa primeira minuta desse catálogos”, explicou Pandey. EFE

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