Erdogan pede prisão perpétua a jornalista que informou sobre envio de armas

  • Por Agencia EFE
  • 03/06/2015 08h44

Ancara, 3 jun (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, apresentou uma denúncia contra o editor-chefe de um jornal que publicou uma informação sobre o suposto envio de armas por parte do governo turco a grupos islamitas na Síria, segundo confirmou nesta quarta-feira à Agência Efe o próprio jornalista.

A acusação, que pede duas penas de prisão perpétua contra Can Dündar, do jornal “Cumhuriyet”, argumenta que essa informação significou um ato de colaboração com uma suposta organização de conspiradores que montou um complô para criar a impressão de que Turquia ajudava organizações terroristas.

O “Cumhuriyet” publicou no dia 29 de maio uma matéria com fotos e vídeos que mostram caminhões carregados de armas que foram interceptados no início de 2014 no caminho para a Síria escoltados por agentes dos serviços de inteligência turcos.

O governo garante que os caminhões levavam ajuda para a população turca e que as acusações de envios de armas aos jihadistas são falsas e partem de uma operação, a qual chama “Estado paralelo”, para derrubar o governo.

“Este preço que eles (governo) pedem que paguemos não nos assustará e continuaremos informando as pessoas”, afirmou Dündar à Efe.

Antes de formalizar a denúncia, Erdogan havia anunciado em entrevista transmitida pela televisão que o jornalista pagaria um “preço alto” por essa matéria.

Intelectuais turcos, entre eles o Nobel de Literatura Orhan Pamuk, manifestaram apoio ao jornalista e lembraram que a liberdade de imprensa é uma parte essencial da democracia.

A ONG Human Rights Watch denunciou nesta quarta-feira a investigação aberta pela promotoria sobre a informação publicada pelo “Cumhuriyet”.

Segundo a organização, trata-se do “último ataque contra os veículos de comunicação que desafiam o governo, dias antes das eleições gerais na Turquia do dia 7 de junho (domingo). A investigação deveria ser suspensa imediatamente”.

Os promotores que ordenaram o registro dos caminhões e os agentes que realizaram a operação foram presos acusados de traição e conspiração. EFE