Escapadinha do hospital, conversas de madrugada e jornalistas em avião da FAB: a corrida para convencer os chineses

  • Por Estadão Conteúdo
  • 26/03/2017 10h51
Reprodução Marcos Caramuru

Foi uma corrida contra o relógio para destravar as importações pela China. Enquanto frangos, perus, porcos e bois engordavam e superavam o peso para abate, o governo brasileiro realizava reuniões com os chineses para convencê-los de que não havia risco no produto brasileiro.

Nessa correria, o embaixador do Brasil na China, Marcos Caramuru, não desperdiçou nenhuma oportunidade de dialogar olho no olho com autoridades chinesas. Na quinta-feira, saiu de uma reunião com eles direto para o hospital. Se recuperando de uma cirurgia no apêndice, na sexta-feira, recebeu a visita de integrantes do governo chinês.

Do lado de cá, o secretário de Defesa Agropecuária, Luis Eduardo Rangel, participava de teleconferências com os chineses à noite e de dia preparava documentos com informações solicitadas. Havia, nos bastidores, a impressão de que a China havia segurado o desembarque de carne brasileira não só para compreender o que estava ocorrendo, mas para dar uma satisfação ao consumidor local.

Por isso, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, colocou um grupo de jornalistas chineses num avião da FAB e foi visitar a planta da BRF em Rio Verde (GO), que não está entre os 21 alvos da operação.

Maggi estava com malas prontas para ir à China. O presidente Temer entrou em campo e solicitou uma conversa com o presidente Xi Jinping, para pedir a volta das importações. Na sexta-feira, mais otimista, Maggi pediu a Temer que adiasse a conversa com Jinping, que seria à noite, pois, em vez de pedir a reabertura do comércio, poderia telefonar para agradecer por ela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.