Especialistas estranham presença de três mecânicos em helicóptero que matou Thomaz Alckmin

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2015 08h14
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A perda de uma das pás do helicóptero em um voo de teste após manutenção é o que teria causado o acidente fatal dessa quinta-feira, em Carapicuíba, que vitimou o filho do governador Geraldo Alckmin, Thomaz Alckmin, e outros quatro passageiros, três deles mecânicos, que acompanhavam o voo de teste da aeronave recém-inspecionada.

Em entrevista à Jovem Pan, o Presidente do Fórum Brasileiro para o Desenvolvimento da Aviação Civil, Décio Correia, explicou que o procedimento de balanceamento e posteriormente o voo teste é comum, mas com o menor número de passageiros possível. “O voo de teste é normal. Uma aeronave, seja um helicóptero ou um avião de asa fixa, passa por qualquer tipo de manutenção um pouco mais séria, é natural. A primeira regra é não ter nenhum tipo de passageiro a não ser a tripulação indispensável. Não se leva nem o mecânico, a não ser que se precise dele”, disse.

Correia também destacou a gravidade de se perder uma das pás da aeronave, o que teria causado o acidente. “No avião, seria o equivalente a soltar uma das asas. É extremamente raro se soltar uma pá. Se isso acontecer, não existe a menor chance de minimizar ou evitar o acidente que será absolutamente fatal, especialmente com uma aeronave de asa rotativa”.

Já o comandante Rui Torres, especialista em aviação com 39 anos de experiência em voos, cogita que a queda das pás tenha ocorrido por fadiga de material, quando o material se desgasta e tem a tendência de quebrar. “É uma coisa difícil de se observar a olho nu (…), é indetectável, simplesmente acontece”, explicou. “Não é comum, não deve acontecer, mas é uma possibilidade.” Ele comparou isso a uma régua que se dobra até quebrar ao meio.

Torres considera que é de praxe levar pessoas da manutenção no helicóptero, mas estranha a presença de três técnicos, além dos pilotos. “É normal, eu só acho que para um helicóptero seria bastante gente”, disse. “Eu não sei por que tinha tanta gente dentro dessa aeronave.”