Espero que protecionismo comercial dos EUA não aumente, diz Serra

  • Por Estadão Conteúdo
  • 09/11/2016 17h28
Brasília - Entrevista do ministro de estado das Relações Exteriores, José Serra (Wilson Dias/Agência Brasil)Ministro de estado das Relações Exteriores

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse nesta quarta-feira (9) esperar que a vitória do republicano Donald Trump não implique em aumento do protecionismo. “Espero que não aconteça. De verdade”, disse ele. Citando a máxima do meia Didi, ele comentou que “treino é treino, jogo é jogo. Treino é campanha. O jogo começa agora.” E disse esperar que “o jogo seja melhor do que o treino”.

Questionado sobre a afirmação feita em meados do ano, em que considerou a hipótese de vitória de Trump um “pesadelo”, Serra brincou. “Estive acordado a noite inteira. Só se tem pesadelo dormindo.” Depois, mais sério, ele disse que cumpre ao governo “olhar os interesses do País” a partir do resultado da eleição. “E fazer votos a que se saia bem”.

Montagem do governo Trump

O ministro das Relações Exteriore referiu ainda que a montagem da equipe do governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, será acompanhada de perto pelo Brasil, bem como as primeiras declarações a respeito da política externa, econômica e comercial. 

Na avaliação do ministro, em seu primeiro discurso após a vitória, Trump mostrou uma face de interlocução. “A ideia é governar para todos”, disse Serra. Ele lembrou ainda que, nos Estados Unidos, as indicações para cargos em escalões mais altos precisam ser aprovadas pelo Senado.

Sobre as implicações da eleição de Trump para o País, o ministro disse que o Brasil não estava no centro das discussões da eleição norte-americana, nem era alvo de controvérsia. Isso, na avaliação dele, é positivo para o País no cenário pós-eleição. Serra disse que caberá ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Sérgio Amaral, abrir canais de interlocução entre o governo brasileiro e a equipe de transição de Trump.

O ministro avalia que a eleição de Donald Trump ainda deve ser alvo de muitas análises, uma vez que demonstra a inclinação da sociedade norte-americana. “Temos de refletir sobre o resultado dessa eleição, sobre os efeitos da globalização, a crise da sociedade contemporânea”, afirmou. 

Serra citou como outro exemplo desse cenário o resultado do plebiscito a respeito da saída do Reino Unido da União Europeia, que ele classificou como surpreendente. “De qualquer forma, decisões da democracia, do eleitorado, se respeitam e se cumprem “

O ministro disse esperar que tanto o Brasil quanto os Estados Unidos sigam determinados a reforçar as relações bilaterais. “Agora, com o resultado da eleição, vamos olhar os interesses do nosso País”, afirmou.