Esposa de jornalista sírio recebe prêmio da Unesco em nome de seu marido

  • Por Agencia EFE
  • 03/05/2015 15h35

Berlim, 3 mai (EFE).- A esposa do jornalista sírio e ativista pró direitos humanos Mazen Darwish, Yara Badr, ressaltou neste domingo em Riga que “nem as ideias nem a livre vontade podem ser detidas”, em referência a seu marido, preso na Síria desde 2012.

“A palavra é um direito fundamental e defendê-la, uma obrigação fundamental” lembrou Badr no Centro Sírio de Meios de Comunicação e Liberdade de Expressão (CMFE) – criado em 2004 por Darwish – ao receber em nome de seu marido o Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa 2015 da Unesco.

Ela contou que faz mais de dez anos que seu marido “escolheu voluntariamente renunciar a tanto e retornar ao seu país” para trabalhar sob o regime opressor de Bashar al Assad.

Segundo Badr, “o jornalismo é a atividade humana mais importante que opera tête-à-tête com o poder absoluto do Estado, rompe o controle do Estado sobre o conhecimento e a informação, e por isso Mazen, um advogado e defensor dos direitos humanos, escolheu ser jornalista”.

“Como não havia uma sociedade livre sob a opressão do regime autoritário (sírio), a luta de Mazen pela transparência foi uma luta pelo direito à informação e à livre expressão como direitos fundamentais do cidadão e da dignidade humana”, acrescentou.

Para Badr, que dirige agora o centro criado por seu marido em Damasco, a detenção de Darwish no início de 2012 “foi uma clara mensagem de opressão não só dirigida a Mazen, mas também aos movimentos civis e pacifistas”.

“Em minha modesta experiência, não posso imaginar um significado para a palavra liberdade exceto o de lutar pela liberdade”, ressaltou.

Apesar do orgulho de receber o prêmio, Badr expressou ao mesmo tempo tristeza e preocupação porque quem deveria recebê-lo “está em um remoto centro de detenção, longe da civilização” e aludiu a “a tirania que confina seres humanos em claustrofóbicas e obscuras celas os deixando somente com sua fé”.

“Os anos da minha vida que passei na escuridão são para que vocês vivam na luz, sem medo de sonhar ou medo das ideias ou das palavras que disserem”, foi a mensagem de Darwish dita por esposa.

Pouco antes a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, e o presidente do júri do prêmio, Ko Ko U, pediram às autoridades sírias para libertar Darwish e os companheiros que, como ele, estão atrás das grades por defender a liberdade de expressão.

O júri internacional de profissionais de imprensa anunciou o premiado em 3 de abril, por Darwish ter levado a cabo uma trajetória de mais de uma década “com grande sacrifício pessoal”, em que sofreu assédio, contínuas detenções, torturas e proibições de viajar.

Além de presidente do Centro sírio de Meios de Comunicação e Liberdade de Expressão (CMFE), Darwish é um dos fundadores do periódico “Voice” e do site independente de informação “syriaview.net”, bloqueado pelas autoridades sírias.

O prêmio Unesco-Guillermo Calo da Liberdade de Imprensa, dotado com US$ 25 mil, foi criado em 1997 em homenagem a esse jornalista e diretor do jornal colombiano “El Espectador”, assassinado em 1986 por capangas do narcotráfico nos anos mais violentos do capo da cocaína Pablo Escobar. EFE