EUA estudam “mediação” na Venezuela com ajuda de Colômbia e outros países

  • Por Agencia EFE
  • 28/02/2014 17h23

Washington, 28 fev (EFE).- O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou nesta sexta-feira que seu país “trabalha de perto com a Colômbia e outros países” para impulsionar algum tipo de “mediação” na crise vivida na Venezuela, e opinou que “não é inadequado” o Congresso americano estudar impor sanções a Caracas.

“Estamos trabalhando muito de perto com Colômbia e outros países para tentar ver como poderia ser feito algum tipo de mediação, porque obviamente já se demonstrou que é muito difícil que os dois lados possam chegar a um acordo por si mesmos”, disse Kerry depois de se reunir com a chanceler colombiana, María Ángela Holguín.

O secretário americano não deu mais detalhes sobre em que consistiria essa mediação, enquanto Holguín evitou fazer comentários a respeito e alegou que já falou sobre a Venezuela nos últimos dias desde a Colômbia.

A porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, esclareceu posteriormente que a possível tentativa de mediação deve ser encomendada a uma “terceira parte”, aceitável para o governo venezuelano e a oposição, e que não é provável que os Estados Unidos se transformem pessoalmente em mediadores.

“O diálogo entre o governo e a oposição pode requerer uma terceira parte para mediar. A questão é quem seria o mediador apropriado, e claramente essa terceira parte teria de ser alguém em quem tanto o governo como a oposição confiem”, assinalou Psaki.

Segundo Kerry, “o que deve ocorrer agora é a liderança venezuelana lidar com seu próprio povo, que tenha diálogo para enfrentar seus problemas”, assinalou em relação aos protestos de oposição contra o presidente Nicolás Maduro na Venezuela.

“E não é inadequado que o Congresso e outros estejam debatendo e pensando sobre iniciativas e medidas que são adequadas para (responder a) ações que, tomadas ou não, têm um impacto profundamente negativo na vida das pessoas, em sua liberdade e sua capacidade de se manifestar, falar e pedir um nível de governabilidade responsável em seu país”, acrescentou.

Esta foi a reação do titular das Relações Exteriores americano à resolução apresentada na quinta-feira no Senado dos EUA pelo democrata Bob Menéndez e pelo republicano Marco Rubio que pede ao presidente Barack Obama sanções contra o governo de Maduro.

“Examinaremos qualquer aspecto que temos a nossa disposição como uma opção”, indicou Kerry em referência à solicitação de sanções.

“Mas o mais importante é que precisamos de um diálogo dentro da Venezuela, não prisões e violência nas ruas, ou processos contra jovens que estão expressando suas esperanças para o futuro”, acrescentou.

E ressaltou que os Estados Unidos “têm indicado constantemente a vontade de desenvolver uma relação mais construtiva com a Venezuela”.

“Mas infelizmente a Venezuela decidiu de forma espontânea, várias vezes, ir em uma direção diferente e, frequentemente, tentar culpar os Estados Unidos por sua própria falta de governabilidade e sua desatenção à economia e ao diálogo com seus próprios cidadãos”, afirmou.

“Foi criada uma ficção na qual é fácil nos culpar, apesar de não termos realizado absolutamente nenhuma ação intrusiva, nem nenhum esforço, nada que não seja tentar ter uma relação normal”, insistiu.

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) deve convocar em breve uma sessão dedicada a avaliar se solicita uma reunião de chanceleres do continente sobre a situação na Venezuela, como propôs o Panamá.

Psaki garantiu na quinta-feira que os Estados Unidos consideram a OEA uma “plataforma positiva” para um debate sobre a Venezuela, mas hoje evitou precisar se acredita que a mediação deve ser canalizada através desse organismo, e também não especificou se Washington quer que haja uma reunião em nível ministerial.

O governo de Maduro rejeitou a convocação de uma reunião na OEA para debater a crise venezuelana por considerar que a Unasul é um fórum mais apropriado, e desprezou a oferta de mediação do presidente do Uruguai, José Mujica, para buscar uma solução aos protestos que vividos no país. EFE

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