EUA lembram Egito que democracia vai além de referendo constitucional

  • Por Agencia EFE
  • 18/01/2014 19h46

Washington, 18 jan (EFE).- O Secretário de Estado americano, John Kerry, recebeu positivamente a aprovação referendada pela população de uma nova constituição no Egito, mas lembrou que o país deve continuar trabalhando para a democratização e contra a polarização.

Em comunicado, Kerry cobrou que o governo interino egípcio “aplique em sua totalidade os direitos e as liberdades que a nova constituição garante”, em referência a aprovada neste sábado com 98% dos votos e uma participação acima de 38% do eleitorado.

Em um tom cauteloso, Kerry lembrou que desde a queda do ditador Hosni Mubarak há três anos “o turbulento experimento de democracia participativa do Egito demonstrou que não só os votos garantem o andamento da democracia, mas um esforço sustentado e integrador”.

Após a saída de Mubarak, o candidato da Irmandade Muçulmana , Mohammed Mursi, ganhou as primeiras eleições democráticas do Egito, mas foi deposto pelos militares um ano depois, em julho, após grandes protestos populares.

Os egípcios terão nos próximos meses outros dois encontros com as urnas, provavelmente a primeira para escolher um novo presidente, posto que pode ser ocupado pelo atual “homem forte” do país, Abdel Fatah al Sisi, chefe do exército.

Kerry afirmou que “democracia é algo mais que um referendo ou uma eleição. É igualdade de direitos e proteções sob a lei para todos os egípcios sem importar seu gênero, fé, grupo étnico ou afiliação política”.

O chefe da diplomacia americana também expressou sua preocupação pelos limites impostos pelo governo interino à liberdade de reunião e de expressão, inclusive durante a convocação do referendo constitucional, “do mesmo modo que expressamos diante do perigoso caminho que tomou o governo eleito” da Irmandade Muçulmana.

“Os Estados Unidos de novo pedem a todas as partes que condenem e previnam a violência e deem passos em direção a um processo político integrador baseado no império da lei e o respeito às liberdades fundamentais para todos os egípcios”, ressaltou Kerry. EFE