EUA se distancia de exibição de Rodman e ex-jogadores da NBA em Pyongyang

  • Por Agencia EFE
  • 07/01/2014 22h19

Washington, 7 jan (EFE).- A Casa Branca e o Departamento de Estado dos Estados Unidos negaram nesta terça-feira de qualquer vinculação com a viagem de vários ex-jogadores da NBA liderados por Dennis Rodman à Coreia do Norte para participar amanhã em um partido de exibição por causa do aniversário do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

O secretário de imprensa da Casa Branca , Jay Carney, e a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, tomaram distância da iniciativa que qualificaram como uma “viagem privado” e insistiram que Rodman e os outros ex-jogadores não estão representando os Estados Unidos.

Rodman chegou ontem a Pyongyang acompanhado de outros ex-jogadores da NBA, como Vin Baker e Cliff Robinson, que também participarão da partida prevista para amanhã, que será realizada no que se acredita ser o aniversário de 31 anos de Kim Jong-un.

A antiga estrela dos Chicago Bulls defendeu a viagem, a quarta que realiza ao país asiático, esta manhã em uma tensa entrevista à emissora americana “CNN” que acabou aos gritos e na qual disse que sua iniciativa é “uma grande ideia para o mundo”.

Perguntado se falaria em nome da família do cidadão americano de origem sul-coreana Kenneth Bae, retido na Coreia do Norte desde 2012, Rodman elevou a voz e, apontando o dedo para a tela, afirmou que Bae fez “uma coisa”, sem especificar nada mais.

“Se entendesses o que Kenneth Bae fez… Entendes o que fez neste país? Não, não, não, diga, diga. Por que está preso neste país, por que? Adoraria falar disto”, respondeu o ex-jogador da NBA ao jornalista Chris Cuomo.

A insinuação que Bae está detido com razão surpreendeu o jornalista, que lembrou ao ex-jogador que o regime comunista não explicou quais são as acusações contra o cidadão americano.

A este respeito, Psaki lembrou que a visão dos Estados Unidos se mantém e que no Departamento de Estado continuam trabalhando por seus próprios canais diplomáticos para conseguir a libertação de Kenneth Bae.

“Seus comentários não são representativos da visão do governo dos Estados Unidos porque obviamente não está falando em nosso nome nem está ali em nosso nome. Estamos trabalhando através de nossos próprios canais”, reforçou Psaki.

Psaki também apontou que os Estados Unidos estão preparados para deslocar seu enviado para negociar a libertação de Bae, Robert King, cujo convite foi cancelada pelo regime norte-coreano em agosto.

Já Carney lembrou que os intercâmbios esportivos e a diplomacia esportiva podem ser “valiosos”, embora tenha ressaltado que a viagem de Rodman é “privada”.

“Nossa preocupação sobre Coreia do Norte é esclarecer a escolha que esse regime enfrenta entre mais isolamento, mais privação econômica por sua insistência em usar seus recursos para financiar seu programa militar e suas ambições nucleares ou se alinhar com suas obrigações internacionais”, raciocinou Carney.

Também a NBA se desvinculou desta partida de exibição em comunicado.

“A NBA não está envolvida na viagem do senhor Rodman à Coreia do Norte e não se atreveria a participar ou apoiá-la sem a aprovação do Departamento de Estado”, disse o delegado da NBA, David Stern.

Em sua entrevista na “CNN”, Rodman se referiu mais uma vez ao líder norte-coreano como seu “amigo”. “Quero bem ao meu amigo”, acrescentou.

“Um dia, esta porta se vai a abrir porque estes dez tipos aqui, todos nós, (Doug) Christie, Vin (Baker), Dennis (Rodman), Charles (Smith)… Todos, se pudermos abrir esta porta só um pouco para que o povo venham aqui e façam uma coisa”, declarou também Rodman.

Outros ex-jogadores que fazem parte da expedição a Pyongyang matizaram em declarações a “CNN” que a viagem é para jogar basquete e não para fazer política e que participam dela porque foram convidados pelo regime norte-coreano.

Na outra vez que o ex-jogador viajou para a Coreia do Norte foi há menos de um mês, quando dedicou cinco dias para preparar a partida de veteranos de amanhã, que enfrentará os aposentados da NBA contra a seleção de basquete norte-coreana, que também foi treinada por Rodman.EFE