EUA: Síria se tornou reduto de terroristas apesar da fraqueza da Al Qaeda

  • Por Agencia EFE
  • 30/04/2014 14h57

Washington, 30 abr (EFE).- O governo dos Estados Unidos alertou nesta quarta-feira em seu relatório anual sobre terrorismo que a Síria se tornou um reduto de terroristas, apesar da Al Qaeda estar enfraquecida após os golpes sofridos por sua cúpula.

“A ameaça terrorista continuou evoluindo rapidamente em 2013, com um maior número de grupos no mundo -incluídos tanto os vinculados com a Al Qaeda como outras organizações- que significam uma ameaça para os Estados Unidos, seus aliados e nossos interesses”, explica o relatório do Departamento de Estado, que examina tendências do ano passado.

O terrorismo se alimentou no Oriente Médio com as divisões sectárias (especialmente as existentes entre xiitas e sunitas), com tensões especialmente preocupantes na Síria, Paquistão e Líbano.

Após três anos de guerra civil, a Síria se transformou em “um grande campo de batalha para o terrorismo”, é uma área de “preocupação para o longo prazo” e um imã para “milhares de estrangeiros”, que em alguns casos se unem a milícias extremistas.

Muçulmanos do Oriente Médio, norte da África, Ásia Central e da Europa Oriental e Ocidental estão viajando para Síria para servir a grupos extremistas como a Frente al Nusra e o Estado Islâmico no Iraque e Levante.

“Governos aliados chave estão cada vez mais preocupados pela possibilidade de indivíduos com vínculos com extremistas violentos e experiência em combate retornarem aos seus países de origem ou outros lugares para cometer atentados terroristas”, explica o relatório.

No entanto, o relatório reconhece que a fragmentação e caos da guerra síria fez com que os grupos extremistas islâmicos estejam desunidos e em constante conflito, o que também frustrou as tentativas da Al Qaeda de governá-los e integrá-los em sua rede global terrorista.

Por exemplo, o líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, foi rejeitado como mediador no conflito entre a Frente al Nusra e o Estado Islâmico no Iraque e Levante, o que levou este último a se desvincular em fevereiro da terrorista liderada no passado por Osama Bin Laden.

“Como resultado dos esforços internacional contra a organização e a perda de líderes, o núcleo duro da Al Qaeda se degradou, o que limita sua capacidade de realizar ataques ou dirigir seus seguidores”, indica o relatório.

Entre as conclusões publicadas hoje, Washington destaca o perigo que representam os extremistas violentos conhecidos como “lobos solitários”, que operam fora de uma organização e são difíceis de detectar, como se evidenciou nos atentados da maratona de Boston de abril de 2013. EFE