Europa tenta pôr fim ao desperdício de sacolas plásticas

  • Por Agencia EFE
  • 28/12/2014 07h07

María Tejero Martín.

Bruxelas, 28 dez (EFE). – A União Europeia (UE) decidiu dar um basta ao crescente desperdício de sacolas de plástico, um material que já chegou a simbolizar a modernidade, mas cujo uso e descarte em grande escala representam um grande problema para o meio ambiente.

As novas normas aprovadas pelos 28 países-membros põem em cheque o uso de sacolinhas mais finas, as de uma grossura inferior a 50 microns, aquelas que quase não são reutilizadas e que têm um alto impacto quando se transformam em resíduos.

O europeu médio consome 198 bolsas finas por ano e os países da UE terão que optar por assumir o objetivo de reduzir o número a 90 em 2020 e a apenas 40 em 2026 ou obrigar que os estabelecimentos comerciais cobrem por elas a seus clientes a partir de 2019.

O plástico é um material que começou a ser produzido em escala industrial em 1907. Depois de pouco mais de um século de vida moderna é impensável sua não existência, especialmente em datas em que o consumo dispara, como o Natal.

A ascensão meteórica do plástico fez com que na última década tenha sido produzida a mesma quantidade deste material que ao longo de todo o século XX, com a particularidade de que 90% das sacolas finas que um europeu usa ao ano vão direto para o lixo.

A flexibilidade, o baixo custo e a resistência fizeram do plástico um material muito apreciado que, no entanto, esconde em sua virtude o seu maior pecado: a durabilidade. Isso significa também que quando é dispensado de forma incontrolada, o plástico pode persistir durante décadas em florestas, rios e mares, onde é especialmente prejudicial.

Em seu livro verde sobre a matéria, a Comissão Europeia reconhece que o plástico é um material “totalmente reciclável”, apesar de a Europa recuperar uma pequena parte dele, motivo que levou as ONGs ambientais a pedirem limites mais rígidos ao uso das sacolas.

“São produtos individuais feitos com petróleo que contêm substâncias tóxicas e são uma das principais fontes de resíduos marítimos, além de um dos resíduos mais fáceis de reduzir”, argumenta a ONG European Environmental Bureau.

A indústria, por sua vez, mostrou rejeição às novas normas europeias, ao considerar que criarão um “mosaico” de medidas diferentes em cada país ao se opor à imposição de limites ao uso das bolsas.

“A taxa obrigatória é a melhor opção. Já provou ser efetiva para reduzir o excesso do consumo de sacolinhas”, assegurou o diretor da organização que reúne os produtores do setor europeus, PlasticsEurope, Karl-H. Foerster.

“Temos que entender que o plástico é valioso demais para ser jogado fora”, acrescentou.

No entanto, os países europeus optaram por dar esta dupla via para reduzir as bolsas, de modo que exista flexibilidade suficiente para que cada local se adapte da melhor forma a sua situação.

As diferenças na Europa com relação ao tratamento dado as bolsas de plástico são muito marcadas. Há países muito avançados nas restrições ambientais, fundamentalmente no norte do continente; membros que se encontram em um ponto intermediároo, como a Espanha; e outros que não regularam a respeito, principalmente no leste.

Na Espanha, por exemplo, foram introduzidas medidas como a Lei de Resíduos e o sistema de cobrança pelas sacolas nos estabelecimentos, o que levou a uma redução no uso.

As novas normas europeias também põem em questão o uso das bolsas biodegradáveis como uma alternativa mais ecológica, ao pedir à Comissão Europeia que analise mais detalhadamente seu impacto no meio ambiente.

A questão é delicada. Enquanto defensores argumentam que elas se fragmentam sozinhas no contato com a luz, críticos afirmam que isto não significa que realmente se degradem, já que os pequenos pedaços de plásticos não desaparecem e podem ser, por exemplo, ingeridos por animais.

A legislação adotada é um passo “histórico” para vários legisladores comunitários; um avanço moderado para os ambientalistas; ou um potencial problema, como acredita a indústria, mas o certo é que a aposta por uma reeducação dos consumidores europeus é uma questão-chave. EFE