Evolução política da Tunísia
Túnis, 21 nov (EFE).- A República da Tunísia, onde neste domingo será realizada uma eleição presidencial, viveu nos três últimos anos uma conturbada transição desde a derrocada do regime de Zine el Abidine Ben Ali em 2011.
Ben Ali sucedeu o fundador da Tunísia contemporânea, Habib Burguiba, em um violento golpe de estado em 1987, instaurando um regime ditatorial de partido único baseado no laicismo com veemência, na repressão policial (especialmente dura com os islamitas) e na corrupção.
Em 2010, o país viveu as maiores manifestações desde a independência que exigiam liberdades e a derrocada do regime de Ben Ali, que em menos de um mês deixaram, segundo a ONU, mais de 300 mortos.
Os enfrentamentos começaram em dezembro, por causa da morte do jovem Mohammed Bouazizi, que protestava contra os abusos policiais que o impediam de vender hortaliças na rua.
Os incidentes, que duraram vários dias, terminaram em 14 de janeiro de 2011 com a saída do poder de Ben Ali e sua fuga à Arábia Saudita.
Primeiro foi formado um governo de “união nacional” que só durou algumas semanas, até ser substituído por um governo de salvação nacional presidido pelo respeitado Beji Caid Essebsi.
Em 23 de outubro de 2011, a Tunísia se tornou o primeiro país da “primavera árabe” a realizar eleições democráticas constituintes, nas quais o partido fundamentalista moderado, Al-Nahda, ganhou 89 das 217 cadeiras, 60 a mais que seu mais imediato concorrente, o centrista Conselho Pela República (CPR).
Al-Nahda se aliou a partidos não islamitas e definiu com eles a uma distribuição de poderes (presidência, parlamento, governo), mas em fevereiro de 2013 o assassinato do líder opositor Chukri Bel Aid provocou uma grave crise, que culminou com a renúncia do primeiro-ministro Hamadi Jabali no mesmo mês após o fracasso de seu projeto de criar um governo tecnocrata.
Al-Nahda deixou então seu ministro do Interior, Ali Laridi, à frente do Executivo, mas ele também se viu obrigado a renunciar após uma série de protestos em janeiro de 2014 e após um pacto do partido com a oposição laica. Laridi foi substituído pelo ministro da Indústria, Mehdi Yuma.
Nesse mesmo mês Mehdi apresentou um novo governo de tecnocratas enquanto o parlamento aprovava a primeira Constituição da democracia. Em junho de 2014 a Junta Eleitoral anunciou eleições legislativas para 26 de outubro, as primeiras democráticas da II República e a segunda desde a derrocada de Ben Ali.
Esta eleição, que acabou sendo realizada com dois anos de atraso, representaram uma punição a Al-Nahda, que perdeu muitos de seus deputados e alcançou somente 69 cadeiras, ficando como a segunda força da Câmara, atrás dos 86 obtidos por Nidá Tunis, que em apenas dois anos de existência se tornou a principal força política do país. EFE
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