Ex-prefeito preso de Iguala esclarecerá paradeiro de jovens, diz governador
México, 4 nov (EFE).- O governador do estado mexicano de Guerrero, Rogelio Ortega, afirmou nesta terça-feira que com a captura do ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e sua esposa será possível conseguir “pistas essenciais” que permitam “encontrar com vida” os 43 estudantes desaparecidos há 38 dias.
Em entrevista à rede de televisão “Televisa”, Ortega qualificou como um “triunfo” a detenção de Abarca e sua esposa, María de Los Angeles Pineda, considerados, junto com o secretário de Segurança de Iguala, Felipe Flores, autores intelectuais do ocorrido em 26 de setembro.
A detenção, realizada pela Polícia Federal no bairro de Iztapalapa, no leste da capital mexicana, “representa a possibilidade de encontrar pistas essenciais sobre como ocorreram realmente os eventos” nessa noite na qual seis pessoas morreram e 25 ficaram feridas pelas mãos de policiais.
Segundo ele, isso também permitirá fazer uma “busca mais precisa” dos 43 estudantes da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, em Ayotzinapa, que, segundo as investigações, foram detidos e entregues a membros do cartel Guerreros Unidos.
Achá-los com vida “é nossa primeira e fundamental prioridade”, acrescentou Ortega, que assumiu as rédeas de Guerrero depois que o governador Ángel Aguirre, do Partido da Revolução Democrática (PRD), renunciou pressionado pelos protestos.
Ortega destacou que as declarações do casal levarão ao “aprofundamento em outras linhas de investigação” que realiza a Procuradoria Geral.
“São os principais responsáveis de ter a polícia infiltrada no crime organizado. Certamente, conhecem quem são os principais dirigentes (de Guerreros Unidos) e onde se escondem”, afirmou o atual governador.
Epifanio Álvarez, pai de um dos alunos desaparecidos, considerou “muito importante” a captura. Ele afirmou que acredita que “se o governo trabalhar”, terão respostas sobre o paradeiro de seus filhos, dado que já têm “os cabeças” do ocorrido nessa noite em Iguala.
“Já são 38 dias e estamos desesperados. Já chegamos ao limite. Queremos uma resposta”, assinalou.
Já Uli, um estudante da escola normal, afirmou que esta detenção é bastante relevante, apesar de destacar que ainda “faltam várias peças para juntar”.
“Esperemos que sejam peças fundamentais ou que sejam de grande ajuda o que tenham para falar a respeito (…) e possamos finalmente encontrar nossos companheiros a partir disto”, disse à Agência Efe.
Em 26 de setembro, policiais atiraram em Iguala contra Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos por ordens supostamente de Abarca. Nessa noite, seis pessoas morreram, 25 ficaram feridas e 43 jovens foram detidos e entregues ao cartel Guerreros Unidos, que se encarregou de seu desaparecimento, de acordo com as investigações da Procuradoria Geral do México.
Mais de 50 envolvidos já foram detidos, incluindo policiais de Iguala e da cidade vizinha de Cocula, assim como membros do grupo criminoso, incluído seu líder, Sidronio Casarrubias, que revelou que todos os meses o cartel entregava elevadas quantias de dinheiro ao prefeito e, inclusive, decidia quem entraria para a corporação policial. EFE
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