Ex-vice-presidente da Guatemala será transferida para prisão comum

  • Por Agencia EFE
  • 02/09/2015 23h40

Cidade da Guatemala, 2 set (EFE).- A ex-vice-presidente da Guatemala Roxana Baldetti, em prisão preventiva desde o dia 21 de agosto acusada de corrupção, será transferida nesta quarta-feira de para um centro de detenção para presos comuns.

O Ministério de Governo explicou através das redes sociais que “mantém a postura de cumprir a ordem judicial para transferir hoje a senhora Baldetti, que se encontra em uma prisão no quartel militar Matamoros, no centro da Cidade da Guatemala”.

“Não existe outra notificação que mude a decisão judicial”, acrescentou o ministério, comandado por Eunice Mendizábal, em nota, respondendo à tentativa da defesa da vice-presidente, que solicitou a suspensão da transferência ao argumentar que a vida dela corre risco na prisão comum.

A hora em que ela será levada à nova prisão não será divulgada, conforme orientação das autoridades penitenciárias do país.

A ex-vice-presidente foi presa em um hospital no dia 21 de agosto. A Polícia Nacional Civil, sob responsabilidade do Ministério de Governo, a levou para prisão do quartel militar, apesar de nenhuma mulher ter permanecido anteriormente em Matamoros.

O órgão modificou a regra no próprio dia 21, publicando-a no dia 24, habilitando assim o ingresso de mulheres no centro de detenção do quartel que anteriormente só recebeu réus do sexo masculino, como o ex-presidente Alfonso Portillo.

O juiz responsável pelo caso contra Baldetti, Miguel Ángel Gálvez, determinou no dia 26 de agosto que ela fosse transferida ao centro de prisão preventiva Santa Teresa, no norte da Cidade da Guatemala.

A imprensa local divulgou hoje imagens da suposta cela de Baldetti em Matamoros, composta de uma sala e mais um quarto para a ex-vice-presidente.

“As fotografias não correspondem, são mentirosas”, garantiu a ministra de Governo em declarações também divulgadas pelas contas da pasta nas redes sociais.

Baldetti renunciou no último dia 8 de maio, depois que seu secretário privado, Juan Carlos Mozón Rojas, foi denunciado no dia 16 de abril como o principal líder de uma milionária rede de corrupção na arrecadação de impostos do país.

Rojas está foragido desde que a denúncia veio à tona, dia no qual estava com Baldetti na Coreia do Sul.

De acordo com as investigações do Ministério Público e da Comissão Internacional Contra a Impunidade (Cicig), Baldetti e o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, eram os verdadeiros comandantes da estrutura criminosa.

As principais evidências contra os governantes foram obtidas também no dia 16 de abril, durante as operações que prenderam mais de 20 integrantes da rede, incluindo funcionários do alto escalão do governo e trabalhadores da alfândega.

Baldetti é acusada de suborno passivo, formação de quadrilha e fraude aduaneira.

O juiz responsável pelo caso programou para dezembro a próxima audiência contra a ex-vice-presidente. EFE