Expansão de agricultura deixa florestas do Paraguai no “mínimo”, segundo WWF

  • Por Agencia EFE
  • 17/05/2014 22h34

Assunção, 17 mai (EFE).- A expansão da “fronteira agrícola” deixou em números “mínimos” a massa de floresta do Paraguai, segundo denunciou à Agência Efe o equatoriano Roberto Tróia, vice-diretor do Fundo Mundial pela Natureza (WWF, na sigla em inglês), ONG internacional que luta pela defesa do meio ambiente.

O especialista em política ambiental disse em entrevista que não se pode pensar em desenvolvimento econômico sem conservar a natureza e deu como exemplo o crescimento do Paraguai, propício pela produção agrícola para a exportação, que por sua vez reduziu de 9 para 1,5 milhão de hectares as florestas do país entre 1950 e 2004, segundo a WWF.

Em 2004 o país alcançou a maior categoria de desmatamento da América e o segundo do mundo, que só conseguiu ser refreada após aprovar a lei conhecida como “Desmatamento Zero”, a qual só afeta metade do território paraguaio, de acordo com a WWF.

“Avaliamos o trabalho do Legislativo para continuar com a lei de desmatamento zero que aponta precisamente a tentativa de regular um processo de redução da fronteira agrícola”, explicou Roberto, de visita esta semana em Assunção após assistir a uma cúpula internacional de seu movimento na cidade de Foz do Iguaçu.

Segundo Roberto, o crescimento da demanda de soja e carne em países como China é tão grande que “é preciso influir no mercado chinês” para conseguir que haja uma produção agrícola que respeite as florestas e os leitos hídricos nos países produtores como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Roberto propôs “trabalhar com as grandes comercializadoras de soja” para que só comprem produção de cultivos que tenham sido certificados e que respeitam o meio ambiente.

“Há 7 ou 10 comercializadores mundiais que podem exigir ou só comprar soja certificada, ou soja legal. É uma proposta para várias comodities, já que pedimos o mesmo para os produtos do mar”, disse o vice-diretor da WWF Internacional para a América Latina e o Caribe.

Roberto pediu que se consolidem corredores ecológicos no Paraguai porque “desde 1999 a cobertura do Mata Atlântica foi perdendo até chegar a números mínimos”.

No Paraguai, o uso de pesticidas nos grandes latifúndios dedicados à soja provocou os protestos de camponeses porque dizem que seus animais e cultivos de subsistência são afetados.

Os camponeses exigem do governo que controle o uso dos agroquímicos por parte dos grandes fazendeiros para que cumpram a lei, enquanto estes asseguram respeitá-la. EFE