Família Marcos mantém poder nas Filipinas depois de 30 anos fora do governo

  • Por Agencia EFE
  • 28/09/2015 09h01

Helen Cook.

Manila, 28 set (EFE).- Mais de 30 anos depois da queda do ditador Ferdinand Marcos, que governou as Filipinas com mão de ferro de 1965 a 1986, sua família, liderada pela viúva Imelda Marcos, ainda tem grande poder e está muito presente na vida política e social do país.

Seu filho, o senador Ferdinand “Bongbong” Marcos, estuda a possibilidade de se candidatar nas próximas eleições presidenciais do país, previstas para maio de 2016.

“As conversas que tive com diferentes grupos ultimamente estão focadas em minha candidatura para o mais alto cargo”, confessou Bongbong recentemente em uma entrevista para a rede de televisão “ABS-CBN”.

Mesmo com a declaração da Lei Marcial por Ferdinand em 1972, com a prisão, o sequestro e a tortura de milhares de dissidentes durante seu governo, além da fortuna acumulada com sua esposa Imelda naqueles anos, a família Marcos ainda conta com notável apoio popular.

Seus simpatizantes, que são, sobretudo, das províncias de Ilocos Norte e Leyte, onde nasceram Ferdinand e Imelda, respectivamente, estão convencidos que as Filipinas eram mais seguras durante a ditadura e que a nação cresceu naqueles tempos.

No entanto, a expansão não foi da economia, mas do déficit, segundo os especialistas, que passou de US$ 2 bilhões para US$ 30 bilhões.

“Só de pensar na possibilidade de que outro Marcos possa chegar ao poder me dá um nó no estômago”, disse à Agência Efe a atriz e ativista política filipina Mae Paner, conhecida como “Juana Change”, que acrescentou: “Após tudo que os Marcos fizeram nas Filipinas, o pior é que ainda não pediram desculpas”.

Mas essas manifestações de rejeição, procedentes dos setores mais intelectualizados da sociedade, se esvaem no seio mais popular.

Imelda Marcos, apelidada de “a borboleta de ferro” e considerada como uma das primeiras-damas mais influentes e carismáticas do mundo na segunda metade do século XX, também ocupou importantes cargos políticos após voltar do exílio no Havaí, em 1991, onde morreu o ditador.

E tudo isso mesmo após as revelações dos excessos de Imelda, como seus famosos três mil pares de sapatos, suas coleções de arte e sua fortuna.

Em maio de 2013, Imelda foi escolhida, com arrasadora maioria de votos, representante no parlamento da região de Ilocos Norte, cargo que ainda exerce aos seus 86 anos.

Sua filha mais velha, Imee Marcos, é governadora de Ilocos Norte desde 2010, depois de ter passado nove anos como representante no parlamento.

Imee foi reeleita em 2013, poucas semanas depois da veiculação de denúncias de que ela teria dinheiro não declarado em contas nas Ilhas Virgens Britânicas.

Apesar do relativo perdão que muitos filipinos demonstraram em relação aos Marcos, que são aclamados e aplaudidos na maioria dos eventos públicos em que participam, outros políticos e grupos da sociedade civil não se esquecem dos crimes cometidos durante os mais de 20 anos de ditadura.

A esses fatos se acrescenta a arrogância familiar, pois “Bongbong” Marcos chegou a afirmar que sua família não tem motivos para pedir desculpas ao povo filipino.

“O alcance dos crimes cometidos por seus pais durante a ditadura de Marcos é tamanho que os danos ainda estão sendo avaliados”, respondeu a Fundação Bantayog ng mga Bayani em uma carta aberta dirigida a Bongbong.

“É hora de vocês serem honestos, senhor senador. Vocês devem isso ao país que lhes deixou partir ilesos em fevereiro de 1986”, acrescentou a organização em referência ao enorme protesto pacífico que conseguiu derrubar o ditador e que deu lugar ao regime democrático liderado por Corazón Aquino. EFE