Familiares reforçam queixas por condução da crise em naufrágio na China

  • Por Agencia EFE
  • 04/06/2015 04h45
  • BlueSky

Jianli (China), 4 jun (EFE).- Os familiares dos desaparecidos no naufrágio na segunda-feira de um navio com 456 pessoas a bordo no rio Yang Tsé, no centro da China, voltaram a se queixar nesta quinta-feira pela condução da crise e o tratamento dado por alguns funcionários na cidade de Jianli.

“Mandaram-me ir embora e que esperasse no hotel”, disse uma mulher da cidade de Tianjin, no norte do país, para um grupo de jornalistas em frente ao necrotério de Jianli, aonde começaram a chegar os últimos corpos resgatados.

“Quero ver o corpo da minha mãe, mas eles não deixam e não entendo por que. Deveria poder vê-lo”, acrescentou a mulher, acompanhada de seu marido.

Os grupos de resgate encontraram o corpo de sua mãe, de 63 anos, mas ela ainda não pôde vê-lo e continua sem saber qualquer informação sobre os outros cinco membros de sua família que também viajavam no “Estrela Oriental”.

Das 456 pessoas que estavam a bordo da embarcação no momento do naufrágio, há apenas 14 sobreviventes e 65 corpos foram recuperados, por isso ainda restam 377 desaparecidos.

Após falar brevemente com a imprensa, um funcionário obrigou a mulher e seu marido a deixarem o local em um veículo oficial.

“Não podemos permitir que este caos com a imprensa, é preciso controlar estas situações”, disse um funcionário a outro depois que um numeroso grupo de jornalistas cercou o casal.

Eles eram os únicos familiares que se encontravam nos arredores do necrotério, de onde esta semana saíram cerca de 20 carros funerários com caixões.

Por enquanto, as autoridades seguem sem permitir que os parentes tenham acesso ao local do acidente, nem os jornalistas, a não ser que seja uma viagem organizada pelo próprio governo.

Os familiares dos desaparecidos também se queixam especialmente da falta de informação oficial. “Estamos nos inteirando do que acontece pela imprensa”, lamentou nesta quarta-feira um homem de idade avançada.

Na porta do necrotério há um grande dispositivo militar e policial para evitar a entrada não autorizada no edifício e o acesso à estrada que leva ao rio está bloqueado. As equipes de emergência continuam as buscas por sobreviventes, após mais de 60 horas do naufrágio.

Dois dos sobreviventes são o capitão e o chefe da casa de máquinas, que continuam sob custódia policial e declararam que o navio afundou pela passagem de um tornado em menos de um minuto, o que não permitiu a reação da maioria dos ocupantes da embarcação. EFE

  • BlueSky

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.