Famosos britânicos pedem à imprensa que escolha novo regulador

  • Por Agencia EFE
  • 18/03/2014 12h04

Londres, 18 mar (EFE).- A escritora J.K. Rowling e os atores John Cleese (ex-Monty Python) e Maggie Smith (Harry Potter) estão entre as 200 personalidades do Reino Unido que hoje assinam um pedido à imprensa britânica para que se acolha a um novo organismo regulador.

Esses famosos, junto com pessoas prejudicadas pelos meios de comunicação, pedem aos jornais do país que assinem o Royal Charter (Estatuto Real), um documento de fundação sancionado pela rainha Elizabeth II em outubro por proposta dos principais partidos políticos, que define um novo código prático e ético.

O naturalista David Attenborough, o empresário Richard Branson, o cineasta Danny Boyle e o escritor Salman Rushdie assinam embaixo do anúncio patrocinado pela organização Hacked Off – que reúne vítimas da imprensa – e publicada em vários periódicos.

Os signatários sustentam que a imprensa britânica “não tem nada a perder e só pode melhorar” com a aceitação de uma regulação mais rigorosa que proteja os cidadãos de abusos, enquanto se garante a liberdade de informação.

O Royal Charter reúne as recomendações feitas pelo juiz Brian Leveson, que julgou o escândalo das escutas, mas os periódicos nacionais se negaram a subscrevê-lo por considerar que atenta contra a liberdade de imprensa ao abrir a porta a possíveis ingerências do governo.

Em seu lugar, propuseram um organismo alternativo, a Organização Independente de Padrões da Imprensa (Ipso), que também teria capacidade de tramitar queixas e impor multas, mas que foi criticada por ceder controle demais aos grandes rotativos nacionais.

Os defensores do Ipso – que, segundo asseguram, contaria com o apoio de mais do 90% das publicações britânicas – afirmam que está preparado para começar a funcionar em 1º de maio, em substituição da chamada Comissão de queixas à imprensa, que Leveson considerou ineficaz e obsoleta.

John Cleese, ex-membro do grupo comediante Monty Python, acusou os diretores de periódicos de “estarem mentindo” ao tachar de restritivas as recomendações de Leveson.

“Dizem que sua liberdade está sendo ameaçada, mas quando qualquer um demonstra que isso é lixo, ignoram os argumentos e por outro lado atacam o povo que quer que se saiba a verdade. Sua falta de escrúpulos é de deixar sem fôlego”, criticou. EFE