Feira CES começa em busca de novo fenômeno tecnológico

  • Por Agencia EFE
  • 07/01/2014 21h19

Fernando Mexía.

Las Vegas (EUA.), 7 jan (EFE).- O evento anual mais importante da eletrônica de consumo, a feira CES, começou nesta terça-feira em Las Vegas confirmando o momento de transição que vive o setor, já esgotado o frenesi comercial dos tablets e smartphones e à espera do próximo fenômeno tecnológico.

Os candidatos a liderar essa nova revolução dão luz e cor às centenas de expositores que até 10 de janeiro tomam o centro de convenções da cidade do pecado, em uma tentativa de cativar os 150 mil visitantes, entre profissionais e jornalistas, que vão ao CES em busca de novidades.

A cara mais chamativa dessa nova onda de produtos é a dos televisores de grande formato, destinadas a gerar mais impacto visual do que vendas já que seu preço estratosférico (dezenas de milhares de dólares) e a pouca praticidade para residências comuns.

É o caso das mastodônticas telas curvadas de 105 polegadas da Samsung e da LG, companhias sul-coreanas que chegaram à feira dispostas a evitar que a rival ganhasse todas as manchetes por uma questão de tamanho.

Essas TVs são só a ponta do iceberg da nutrida coleção de telas que povoam o evento e que na maior parte oscilam entre as 85 e as 50 polegadas e se agrupam sob o qualificação de Ultra HD (UHD), terminologia que pouco a pouco substitui a que se vinha chamando de resolução 4K.

A denominação não é assunto superficial, mais ainda depois da confusão que as companhias semearam no consumidor nos últimos anos ao empregar nomenclaturas diferentes para promover suas inovações, como constatou um relatório do Consumer Electronics Association (CEA), organizador da CES.

Assim convivem no mercado HD, UHD, 4K, oLed, LCD, Plasma e 3D para qualificar os tipos de televisores. Nesta feira tem aparecido um consenso no setor para simplificar as coisas.

Destas, está se impondo UHD, que acrescenta o conceito de “ultra” ao manjado HD para significar a maior resolução existente (4 vezes maior que o HD) e deixa em segundo plano as outras tecnologias.

Em desgraça parecem ter caído as televisões de plasma, fadadas a desaparecer (em 2017 92% do mercado será de telas LCD, segundo a CEA), o mesmo com o 3D, elemento estrela de CES em 2010 e que apesar dos esforços realizados pela indústria não pegou com os consumidores.

Esta semana a empresa Vizio anunciou sua primeira tela UHD ao mesmo tempo em que notificou que deixa de incorporar o 3D em seus televisores.

Fica a conferir se as telas curvas seguem o mesmo caminho que o 3D, e saem de moda, ou se tem futuro.

“Honestamente, ainda é uma tecnologia limitada”, comentou a Efe o editor-chefe do site CNET em Espanhol, Gabriel Sama, para quem é uma “boa intenção” os fabricantes tentarem criar dispositivos “flexíveis e moldáveis”, embora hoje a “curvatura seja leve” e pouco efetiva.

As vendas de televisores subirão de forma progressiva durante a próxima meia década, segundo os prognósticos da CEA, apesar de a renda do setor tecnológico tender a cair globalmente. Estima-se que 1% em 2014, uma vez superada a febre dos últimos cinco anos por tablets e smartphones.

Atualmente 55% dos lares nos EUA têm pelo menos um tablet e mais de 60% dos cidadãos tem um smartphone, um panorama extrapolável a outros países ricos; enquanto nas regiões em desenvolvimento se impõem os aparelhos inteligentes com menos funções, mas econômicos, um diminuição para a renda do setor.

A implantação em massa de telefones de alto padrão na sociedade abriu a porta para o desenvolvimento de um negócio incipiente que respira também no CES e já foi batizado como “a internet das coisas”.

Essa expressão resume uma ideia que consiste em conectar todos os elementos da vida cotidiana entre si e através de internet de tal forma desde a televisão e a lavadora, até o automóvel interajam com seu proprietário graças a uma série de aplicações que se administram no telefone.

Como exemplos desta tecnologia está o conceito “Smart Home” da Samsung e a gama de eletrodomésticos inteligentes da LG cujos sistemas, que incluem reconhecimento de voz, permitem saber através do telefone que produtos há na geladeira, datas de validade e o andamento de um prato no forno.

Neste mesmo contexto estão os sensores que medem a atividade física, o ritmo cardíaco, o açúcar no sangue e os relógios “smartwatch”, tecnologia de usar que tem ganhado território e que não se preocupa só em ser prática, mas também com a estética. EFE

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