Feministas chinesas presas em março são libertadas após pagamento de fiança

  • Por Agencia EFE
  • 14/04/2015 00h32

Pequim, 14 abr (EFE).- As cinco feministas chinesas presas em março quando tentavam lançar uma campanha contra o assédio sexual na China foram colocadas em liberdade após pagarem fiança, confirmaram nesta terça-feira várias organizações de direitos humanos.

Um dos advogados do grupo, Wang Qiushi, tinha informado à Agência Efe na tarde de ontem sobre a libertação de três delas (Wang Man, Zheng Churan e Wei Tingting). Já Wu Rongrong e Li Tingting, consideradas as mais ativas entre as cinco feministas, saíram da prisão durante a madrugada de hoje.

“A decisão de libertá-las é um passo muito encorajador”, comentou em comunicado a Anistia Internacional, que, no entanto, destacou a necessidade de as autoridades chinesas retirarem todas as acusações contra as cinco mulheres.

Apesar de a promotoria ter aprovado sua saída do centro de detenção de Pequim, onde estavam presas, as feministas não desfrutarão de “uma liberdade total”, disseram seus advogados. Elas não poderão, por exemplo, viajar e dar entrevistas à imprensa.

As cinco ativistas, de idades entre 20 e 35 anos, foram detidas na véspera do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, ao distribuírem adesivos contra o assédio sexual no transporte público em diversas cidades da China.

Ontem expirava o prazo previsto pela lei chinesa para que os procuradores decidissem libertar – algo pouco frequente em casos relacionados aos direitos humanos – ou apresentar acusações formais contra as presas, o primeiro passo para um julgamento que com frequência acaba em condenação.

As autoridades chinesas não costumam cumprir com rigor os prazos determinados pela lei, apesar de especialistas considerarem que, neste caso, a grande repercussão midiática dentro e fora da China acabou resultado na libertação.

A prisão das feministas gerou a maior onda de protestos no país nos últimos anos. A resposta da comunidade internacional também pressionou Pequim. Várias personalidades, entre elas o secretário de Estado americano, John Kerry, e o vice-presidente, Joe Biden, pediram a libertação das mulheres, algo que a China considerou como uma ingerência em seus assuntos internos.

“Pedimos aos Estados Unidos que respeitem a soberania judicial chinesa e deixem de interferir em nossos assuntos sob qualquer pretexto”, destacou ontem, em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei. EFE