FMI reduz previsões de crescimento de Colômbia, Peru e Chile para 2015

  • Por Agencia EFE
  • 15/07/2015 15h07

Alfonso Fernández.

Washington, 15 jul (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta quarta-feira as previsões de crescimento em 2015 da Colômbia, para 3%, do Peru para 3,2% e do Chile para 2,5%, e elevou ligeiramente as da Argentina, para 0,1%, em um contexto de pronunciado arrefecimento lastrado pelo baixo investimento e pela deterioração da confiança na América Latina.

O dado da Colômbia representa meio ponto a menos do que o previsto em abril, a do Peru menos seis décimos e a do Chile, de dois décimos, de acordo com os novos cálculos do FMI.

Em sua atualização das Perspectivas Econômicas para a região, o Fundo reiterou a contração de 1,5% do Brasil para este ano e a expansão de 2,4% para o México, em ambos os casos com revisões para baixo em relação aos cálculos do relatório anterior.

Como consequência, explicou Alejandro Werner, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, a “América Latina irá encarar anos de baixo crescimento pela frente”, que o FMI estimou em 0,5% para este ano e em 1,7% no próximo.

“O principal risco é um arrefecimento maior da China, além dos possíveis efeitos do início da normalização monetária dos Estados Unidos e o contexto interno de baixa confiança, que pode continuar a pesar sobre a recuperação do consumo e do investimento”, indicou Werner em entrevista coletiva.

A heterogeneidade da situação econômica está relacionada com duas forças: por um lado, a dinâmica atividade nas Américas do Norte e Central, associada à recuperação dos EUA, e de outro, o enfraquecimento dos países da América do Sul, afetados pela queda de preços de matérias-primas.

Como exemplos extremos, o Panamá tem expectativa de crescimento ao redor de 6% este ano, e a Venezuela registrará a maior contração da região (-7%) este ano, e com uma inflação que passará dos 100%.

No caso da Argentina, única economia regional para a qual o FMI aumentou sua previsão, de -0,3% em abril para o atual 0,1%, Werner assinalou que a situação continua sendo “muito delicada no balanço de pagamentos e com níveis de investimento privado muito frágeis”.

O representante do FMI também comentou os efeitos do recente acordo entre o Irã e as potências internacionais, que levantará as sanções econômicas ao país persa, e a abertura da torneira da produção de petróleo iraniano, o que ampliará a oferta global “entre 500 mil e um milhão de barris” no médio prazo.

“Esta normalização das relações com o Irã indica que a recuperação gradual do petróleo que era esperada para o médio prazo, enfrentará um obstáculo adicional. Para a América Latina é uma má notícia, especialmente para os petroleiros”, disse Werner.

No entanto, assinalou que parte destas consequências já foi “descontada” no mercado nos últimos meses e os países “já estão se movimentando para enfrentar este choque”, e usou as medidas fiscais aplicadas no México e no Equador como exemplo.

Nesta mais recente análise da economia latino-americana, o FMI reiterou os grandes desafios que a região encara no médio prazo e a necessidade imperiosa de aplicar reformas estruturais para gerar crescimento.

Werner assinalou que a situação macroeconômica inicialmente é positiva em muitos aspectos, já que existe pouca dívida, sistemas bancários saneados e baixos níveis de desemprego.

Mas, ressaltou, o certo é que “o crescimento não virá da demanda externa, nem do gasto público porque não há espaço fiscal, por isso tem de vir de investimento e da produtividade, e estas questões tomam tempo” por estarem ligadas a educação, infraestrutura e inovação.

A próxima reunião do FMI e do Banco Mundial acontecerá em outubro em Lima, no que representa o retorno da instituição financeira internacional à América Latina depois de 50 anos para realizar seu principal evento anual. EFE