Fonplata decide fortalecer capacidade de empréstimos diante crescente demanda

  • Por Agencia EFE
  • 26/05/2014 19h14

São Paulo, 26 mai (EFE).- O Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonprata), integrado por Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, fortalecerá sua capacidade de empréstimos diante da crescente demanda por créditos para projetos regionais, decidiu nesta segunda-feira em São Paulo a Assembleia de Governadores da entidade.

“Diante do êxito dos programas operacionais desenvolvidos com os países e em resposta à crescente demanda de investimentos, os ministros anunciaram a decisão de fortalecer a capacidade de empréstimos de Fonplata acelerando a integração do capital”, ressaltou o fundo regional de incentivo ao desenvolvimento em comunicado divulgado no final da reunião.

Os governadores do Fonplata destacaram no documento final da reunião “os desafios superados para transformar a instituição em uma ferramenta relevante, ágil e eficiente, preparada para acompanhar o desenvolvimento e integração da região”.

Na Assembleia de Governadores também foi anunciado um fundo de concessão para estabelecer taxas preferenciais em operações de apoio a Bolívia, Paraguai e Uruguai, com o objetivo de compensar as assimetrias de bolivianos e paraguaios em particular e, em menor medida, de uruguaios, frente aos gigantes Brasil e Argentina.

O presidente-executivo do Fonplata, Juan Notaro Fraga, explicou à Agência Efe que, no caso do Paraguai e da Bolívia, a compensação com as taxas preferenciais de juros para os créditos será de 75%, enquanto para o Uruguai será de 50%.

Este mecanismo de compensação foi definido pelos governadores como “uma ferramenta de cooperação solidária” a fim de favorecer os países “de menor desenvolvimento relativo”.

Os delegados da Bolívia, Brasil e Uruguai anunciaram no encontro que seus respectivos países completaram os processos internos para a subscrição de capital aprovada junto com a reestruturação do fundo em 2012, dois deles inclusive com a respectiva aprovação nos congressos nacionais.

Argentina e Paraguai, por sua parte, continuam avançados nos processos legislativos correspondentes, e espera-se a aprovação nos próximos meses.

Os governadores aprovaram a Memória e o Balanço de 2013 da entidade e analisaram os resultados da gestão que deu “prioridade” ao “enfoque de favorecer os países e áreas geográficas de menor desenvolvimento”.

Desde a última Assembleia de Governadores, realizada em junho de 2013, foram aprovados cinco projetos por US$ 125 milhões para a Argentina e Bolívia, e antes de fim de ano espera-se a aprovação de mais sete operações por US$ 225 milhões para os cinco países-membros do fundo.

Na reunião, a ministra brasileira de Planejamento, Miriam Belchior, assumiu a presidência da Assembleia de Governadores, que era presidida por sua colega boliviana Viviana Caro.

Na reunião de hoje participaram também o ministro da Fazenda do Paraguai, Germán Rojas Irigoyen, o titular de Economia e Finanças do Uruguai, Mario Bergara Duque, e o diretor de Projetos com Organismos Internacionais de Crédito, do Ministério da Economia e Finanças Públicas da Argentina, Ignacio Negroni.

Em seu discurso, Belchior destacou que “foi dado um passo importante em direção à transformação institucional do Fundo”, enquanto Bergara ressaltou que “operar em nichos de financiamento específicos permite ao Fonplata interagir com outros organismos financeiros em projetos de montantes pequenos”.

Projetos que, segundo o ministro uruguaio, apesar de seu pequeno montante, são “importantes para nossos países” e, ao mesmo tempo, permitem “se integrar na nova arquitetura regional”.

Negroni manifestou que “a força do organismo hoje obedece à ausência de condicionamentos externos dada sua condição de instituição financeira de desenvolvimento regional”, enquanto Caro expressou que o Fonplata “desenvolveu uma capacidade de resposta muito importante e muito rápida”.

O fundo, de acordo com Caro, “está enchendo um espaço de financiamento para os cinco países que era preciso”.

Paralelamente à Assembleia de Governadores, na reunião de São Paulo foi assinado um contrato de financiamento por US$ 25 milhões para a construção de um segundo trecho da estrada da rota boliviana Santa Cruz de la Sierra-Cochabamba, entre Puente Mariposas e Puente Chimoré.

A sede do Fonplata, criado em 1974 para dar apoio financeiro e técnico na região e relançado em 2012, fica na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. EFE

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