Fora da pauta oficial, mudança climática vira protagonista na cúpula do G20

  • Por Agencia EFE
  • 15/11/2014 12h38

Rocío Otoya.

Brisbane (Austrália), 15 nov (EFE).- Apesar de não ter sido incluído na agenda de debates da cúpula do G20 pela Austrália, país organizador do encontro, o tema da mudança climática não só veio à tona, como tornou-se o principal destaque do encontro até aqui após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciar uma contribuição de US$ 3 bilhões ao Fundo Verde da ONU.

Depois de infrutíferas pressões internacionais para que a Austrália incluísse a mudança climática na pauta do G20, Obama escolheu a cidade australiana de Brisbane, sede da cúpula, para revelar sua contribuição aos países em vias de desenvolvimento, entre eles os do Pacífico Sul, para que enfrentem os efeitos provocados no meio ambiente.

“Anuncio que os Estados Unidos dão outro grande passo. Vamos contribuir com US$ 3 bilhões ao Fundo Verde para o Clima de modo que possamos ajudar as nações em desenvolvimento”, disse Obama no discurso que pronunciou na Universidade de Queensland, em Brisbane, antes de participar da cúpula do G20.

“Junto às outras nações que já o respaldaram, nos dá a oportunidade de ajudar as comunidades vulneráveis com um sistema de prevenção, com defesas mais fortes contra o surgimento das tempestades e uma infraestrutura mais resistente ao clima”, declarou Obama.

Na Cúpula do Clima de setembro, foram oferecidas contribuições por um total de US$ 2,3 bilhões como capitalização inicial do Fundo Verde iniciado para financiar ações contra o aquecimento global.

O anúncio se segue ao acordo histórico fechado nesta semana entre EUA e China sobre a mudança climática, por meio do qual Washington se compromete a reduzir suas emissões em 28% em 2025.

Por sua vez, a China se comprometeu a, assim que for alcançado o nível máximo de emissões em 2030, começar a reduzi-las e, ao mesmo tempo, a fazer com que 20% de sua energia proceda de fontes limpas e renováveis.

Mas Obama não se limitou ao anúncio da contribuição econômica, como pediu aos demais países para que estabeleçam um objetivo de redução das emissões e olhem com objetividade os dados científicos e “consigam um forte acordo global no próximo ano”.

Obama também lembrou que Austrália e Estados Unidos emitem muito carbono e alertou sobre o perigo que a mudança climática representa para a Grande Barreira de Corais, situada no nordeste da Austrália e declarada Patrimônio da Humanidade.

A voz de Obama não foi a única a se fazer ouvir hoje antes da cúpula, já que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu aos líderes do G20 para que tomem ações firmes para enfrentar a mudança climática e contribuam com o Fundo Verde para o Clima.

“O mundo olha para o G20 também para que lidere o financiamento do clima. Peço aos líderes do G20 para que façam uma aposta ambiciosa para a capitalização do Fundo Verde para o Clima”, disse Ban, ao admitir que esta questão está sendo discutida “ativamente” na cúpula.

Por sua vez, o vice-ministro de Finanças da China, Zhu Guangyao, declarou a jornalistas antes da cúpula que se a economia chinesa se desenvolver rápido demais de modo que afete a sustentabilidade ambiental, “deverão ser feitos ajustes às políticas a tempo de minimizar o impacto no meio ambiente”.

Às vozes dos políticos e das organizações sociais dos países do G20 (C20) se uniram hoje centenas de civis que fizeram uma passeata pelas ruas de Brisbane para reivindicar diversos assuntos, entre eles a luta contra a mudança climática e o uso de energias renováveis.

O governo da Austrália, um dos maiores poluidores per capita do planeta, eliminou recentemente o imposto sobre as emissões poluentes e não se pronunciou ainda sobre seu objetivo a respeito do uso de energias limpas. EFE

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