Fundos dos EUA dizem que fraude na Petrobras é ‘incontestável’

  • Por Estadão Conteúdo
  • 29/06/2016 08h44
Petrobras pré-sal

Os fundos que processam a Petrobras em Nova York acusaram a empresa de ser responsável por um dos maiores casos de fraude da história do mercado de capitais dos Estados Unidos. Com evidências de um escândalo de corrupção “esmagador e sem precedentes”, os advogados dos investidores entregaram documentos ao Tribunal de Nova York pedindo que o juiz responsável pelo caso, Jed Rakoff, faça o julgamento sumário de algumas acusações contra a empresa brasileira alegando que o esquema de fraudes é incontestável.

Rakoff recebeu, entre as últimas segunda e terça-feira (27 e 28), cerca de 50 documentos com destaque para o relato da ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca. Os textos foram entregues tanto pelos fundos que processam a petrolífera brasileira quanto pelos réus nos processos, que incluem subsidiárias internacionais da empresa, além de bancos que cuidaram de emissões de papéis e funcionários, como os dos ex-presidentes Graça Foster e José Sergio Gabrielli.

O juiz marcou uma audiência para o próximo dia 5 de agosto, em Nova York, que vai anteceder o julgamento, previsto para 19 de setembro. Rakoff negou o pedido da estatal para adiar a data.

Os fundos, por meio do escritório Pomerantz, afirmam que os depoimentos de ex-funcionários e outras provas, como os balanços da companhia, permitem concluir que as acusações de corrupção não podem mais contestadas. 

Os advogados ressaltam que não é preciso apresentar mais provas sobre a culpa da Petrobras ou tomar novos depoimentos. Segundo eles, após as sentenças do juiz Sergio Moro, várias delações premiadas e outras “evidências avassaladoras” de fraude, a companhia não pode mais negar o esquema. 

Outro lado

Os réus que fazem parte dos processos de fundos movidos contra a Petrobras apresentaram defesa à Justiça americana. O grupo afirmou que a petroleira foi vítima de um cartel formado por construtoras, políticos e alguns funcionários.

Em documentos enviados ao magistrado norte-americano, em Nova York, ex-funcionários declaram não ter participado dos ilícitos nem ter conhecimento de irregularidades. Em um dos relatórios, o ex-diretor financeiro, Almir Barbassa, diz que não há evidências de que ele e outros acusados sabiam das irregularidades.

Graça Foster mencionou “nunca ter aceitado propina” ou ter “pessoalmente se beneficiado” da corrupção na empresa. A PwC, que auditou balanços, e bancos que cuidaram da emissão de papéis, como HSBC, JPMorgan, Citibank e BB Securities, também reiteraram que não tinham conhecimento das irregularidades.