Google afirma que priorizará segurança no desenvolvimento de veículo autônomo
Marc Arcas.
San Francisco, 28 mai (EFE).- Garantir um modelo de automóvel seguro é a prioridade do Google no desenvolvimento de seus protótipos de veículos autônomos, que circulam sem motorista humano, segundo garantiu nesta quarta-feira o diretor do projeto, Chris Urmson.
Urmson ofereceu uma entrevista coletiva para dar detalhes sobre o novo protótipo de automóvel mostrado ontem pela companhia de Mountain View (Califórnia, EUA) e que, pela primeira vez, possui um design elaborado especificamente para este tipo de veículo, que, entre outras coisas, carece de volante e pedais de freio e aceleração.
Até agora, o Google sempre tinha revelado seus avanços neste tipo de automóveis – nos quais está trabalhando há vários anos – por meio de modelos convencionais adaptados, motivo pelo qual os veículos tinham o mesmo aspecto que os que circulam atualmente pelas estradas e permitiam aos passageiros retomar o controle se fosse necessário.
“Mais de 90% dos acidentes são causados por erros humanos, portanto a boa notícia é que a segurança é um campo no qual ainda podemos intervir. A tecnologia pode ser a solução”, declarou Urmson, que reiterou várias vezes que todo o design dos veículos do Google parte da mesma premissa: a segurança na estrada.
Para o diretor do projeto de veículo autônomo do Google, estes automóveis partem com vantagens em relação aos que são conduzidos de forma convencional, já que, além de “eliminar o fator humano” (cansaço, distrações, etc.), dispõem de uma capacidade de captação de sinais externos muito superior à de um ser humano.
“Estes veículos, ao contrário dos atuais nos quais o motorista tem um campo de visão limitado, poderão captar os sinais da realidade exterior em 360 graus”, comentou Urmson.
O protótipo apresentado pelo Google é elétrico, dispõe unicamente de dois assentos, é pequeno e muito compacto e tem um aspecto futurista.
O Google planeja construir uma centena de protótipos que começarão a ser testados ainda neste ano e, “se tudo correr bem”, a ideia da empresa é realizar um programa piloto na Califórnia nos próximos anos.
“Ainda nos resta um longo caminho a percorrer. Primeiro, testaremos os veículos em circuitos fechados neste semestre e por ruas urbanas no final de ano”, explicou Urmson.
Há aproximadamente um ano, outros veículos do Google que se conduzem sozinhos, mas que aceitam que um humano possa tomar o controle sobre eles em caso de emergência – os Lexus RX450h equipado com sensores – estiveram circulando pelas ruas de Mountain View, onde o gigante tecnológico tem sua sede.
Além das possíveis melhoras no campo da segurança, a empresa californiana também destaca a “revolução” que, segundo sua opinião, o veículo autônomo pode representar para pessoas incapacitadas de dirigir.
“Agora já não terão problemas de mobilidade, serão totalmente autônomos”, ressaltou Urmson.
Nos veículos autônomos do Google basta que o passageiro introduza seu destino final em um aplicativo de celular para que, sem praticamente mediar interação alguma com o automóvel, este lhe leve onde deseje.
Segundo o Google, seus veículos sem motorista não registraram nenhum acidente em todos os quilômetros percorridos até o momento.
Por enquanto, o Google não prevê que os automóveis respondam a ordens verbais, mas esta é uma opção já disponível em outros produtos da empresa como o Google Maps, o que, nas palavras de Urmson, “é uma possibilidade que não descartamos para o veículo autônomo”. EFE
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