Governo afirma que real desvalorizado abre espaço para produtos brasileiros

  • Por Agencia EFE
  • 12/07/2015 21h27
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Rio de Janeiro, 12 jul (EFE).- A desvalorização do real frente ao dólar nos últimos meses elevou a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e já se reflete nas exportações, que subirão com mais força no segundo semestre, disse neste domingo o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro.

“Já estamos detectando firmemente, não apenas no resultado da balança comercial, mas nós estamos medindo isso pela forma que a exportação voltou ao planejamento das empresas”, assegurou Monteiro na cerimônia de abertura do Congresso Brasileiro do Aço, inaugurado hoje em São Paulo.

O real brasileiro se desvalorizou cerca de 18% no primeiro semestre do ano e já tinha perdido valor frente ao dólar em 2014, o que encareceu as importações e reduziu o preço dos produtos nacionais no exterior.

“Toda a empresa hoje voltou a colocar a exportação no seu radar”, afirmou o ministro, para quem esse novo nível de câmbio tende a ser benéfico para a indústria brasileira.

De acordo com Monteiro, ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil conviveu com um longo período de valorização do real pelo qual as indústrias “pagaram um preço caro”.

“Felizmente agora, ao que parece, nós teremos uma taxa de câmbio mais amigável ao setor exportador”, comentou.

De acordo com os dados divulgados na semana passada pelo governo, apesar dos elevados déficits na balança comercial nos primeiros meses do ano, o Brasil registrou no primeiro semestre de 2015 um superávit de US$ 2,22 bilhões, o melhor resultado para o período nos últimos três anos.

O Brasil registrou em 2014 o primeiro déficit dos últimos 14 anos, com um saldo negativo entre importações e exportações de US$ 3,93 bilhões.

O governo espera que a nova taxa de câmbio e a abertura de novos mercados de carne bovina à China e Estados Unidos contribuam para aumentar as exportações no segundo semestre.

Monteiro prevê que o país terminará 2015 com um superávit comercial de entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões.

Segundo o ministro, a nova taxa de câmbio não só melhora a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, mas “oferece para a própria indústria algum espaço no mercado doméstico que vinha sendo ocupado pelo produto importado”.

Monteiro acrescentou que, além de melhores condições, o governo vem trabalhando para abrir os mercados nos países mais ricos.

“O Brasil tem que se integrar de maneira mais efetiva aos fluxos de comércio em regiões que têm maior dinamismo. E nesse sentido, o foco da política comercial brasileira se voltou para alguns mercados importantes, como o americano”, ressaltou.

O ministro destacou os acordos que foram assinados durante a recente visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, entre eles um de convergências nas normas técnicas.

Esse acordo, disse, permitiu que setores da indústria já pudessem ter ganhos no curto prazo. “Eu destacaria o setor cerâmico, de máquinas e equipamentos, de refrigeração e material elétrico”, frisou.

Por fim, Monteiro disse também que o México é outro país com o qual Brasil está trabalhando para abrir mercados e expandir os laços comerciais.

“Nós estamos ampliando o acordo de complementação econômica com o México. É um acordo que vigorava desde 2002, mas restrito, com 800 produtos. Esse acordo vai agora ser ampliado, alcançando mais de três mil produtos”, concluiu. EFE

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