Governo britânico vai pagar mesmo subsídio da UE a produtores rurais após Brexit

  • Por Estadão Conteúdo
  • 13/08/2016 13h19
FRA607 FRÁNCFORT (ALEMANIA) 24/06/2016.- Un panel muestra información bursátil junto a una bandera del Reino Unido en el parqué de Fráncfort (Alemania) hoy, 24 de junio de 2016. El índice selectivo DAX 30 de la Bolsa de Fráncfort abrió hoy con un desplome del 10 %, después de que haya triunfado en el Reino Unido el "brexit" de la Unión Europea (UE). EFE/Frank RumpenhorstBrexit

O Tesouro do Reino Unido disse neste sábado que produtores rurais britânicos vão continuar recebendo do governo, até 2020, o mesmo valor em subsídios que recebem da União Europeia, caso o país tenha deixado o bloco. Este é o primeiro grande comprometimento de gastos do ministro de Finanças, Philip Hammond, que foi nomeado para o cargo no mês passado. O governo também vai assumir a conta dos recursos da UE que seriam direcionados ao desenvolvimento econômico e pesquisa científica no país, disse o Tesouro em comunicado.

Um porta-voz disse que o Reino Unido recebe atualmente cerca de 4,5 bilhões de libras esterlinas (US$ 5,8 bilhões) ao ano em subsídios agrícolas e os chamados fundos estruturais para desenvolvimento econômico, e mais 1 bilhão de libras em recursos para pesquisa. Segundo ele, o valor final vai depender de outros projetos de que o país venha a participar até sua eventual saída da UE.

Com o anúncio, o Tesouro pretende tranquilizar produtores rurais, universidades e regiões mais pobres do Reino Unido, que temem perder a ajuda assim que o país deixar o bloco. A data de saída ainda não foi definida, mas a primeira-ministra Theresa May sinalizou que pretende iniciar em 2017 negociações que devem durar dois anos. Isso significa que o Reino Unido pode deixar a UE já em 2019, mas as negociações podem levar mais tempo.

O anúncio também tem como objetivo reduzir parte das incertezas que, segundo economistas, estão afetando a economia. De acordo com Hammond, o governo está “determinado a garantir que as pessoas tenham estabilidade e segurança durante o período anterior à nossa saída da UE”.

Ainda não se sabe que medidas o governo terá de adotar para subsidiar a agricultura e apoiar regiões mais carentes e pesquisa após os prazos estipulados. 

O Instituto de Estudos Fiscais, de Londres, acredita que o fraco crescimento econômico nos próximos anos pode reduzir a arrecadação de impostos, abrindo um rombo nas contas do governo. Esse rombo seria bem maior do que a economia feita pelo Reino Unido ao não contribuir com o orçamento da UE. A contribuição do país para o orçamento do bloco é de aproximadamente 8,5 bilhões de libras esterlinas ao ano, já descontado o montante que recebe de volta em subsídios e outros recursos. 

Hammond já descartou a meta de seu predecessor de zerar o déficit fiscal até 2020, e alguns economistas dizem que o governo precisa afrouxar ainda mais a política monetária para dar suporte à economia.