Governo do AM identifica 8 líderes de massacre e pedirá transferência para presídios federais

  • Por Jovem Pan
  • 04/01/2017 12h16
AM - REBELIÃO/MANAUS/ONTEM - CIDADES - Familiares aguardam a liberação dos corpos de presidiários em frente ao Instituto Médico Legal (IML), em Manaus, na terça-feira, 03. Cinquenta e seis presos foram mutilados e mortos durante rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), na capital amazonense. 03/01/2017 - Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDOManaus

O governo do Amazonas identificou e pedirá a transferência de oito lideranças da facção criminosa Família do Norte (FDN) para presídios federais. A solicitação será encaminhada ao Ministério da Justiça, que analisará o pedido. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Mais cedo, a polícia havia informado a identificação de sete presos do Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) como líderes da rebelião que levou a morte de 56 detentos, supostamente ligados ao PCC, no último domingo (1º), em Manaus.

A Polícia Civil informou ainda que apura o nome de outros presos envolvidos no massacre. A expectativa é de que o inquérito policial seja concluído em 30 dias.

O delegado Ivo Martins, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros, disse em entrevista ao G1 que foram ouvidas cerca de 15 a 20 pessoas, mas que não é possível atribuir tudo a apenas sete nomes.

Ele acrescenta ainda que não é possível afirmar que o massacre foi uma ação coordenada da Facção Família do Norte (FDN) contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

“[A rebelião] Ocorreu logo após o horário de visitas. Estamos tentando entender como o fato se deu, como ocorreu, como foi a dinâmica dos fatos, ver os últimos passos das vítimas, saber qual o motivo delas terem sido mortas, para então encontrar uma motivação [para o massacre] e as autorias. Estamos filtrando”, disse.

A força-tarefa segue nos trabalhos de investigação em diferentes frentes – trabalhos de campo, análise, inteligência e oitivas.

Ao G1, Ivo Martins pediu “paciência” da sociedade enquanto as investigações não se encerram. “Não dá para pegar todos aqueles que estão lá dentro e atribuir todos os crimes a eles. Têm várias condutas delituosas aí. A gente tem homicídio qualificado, dano qualificado, motim de presos, lesão corporal, porte de arma de fogo, cárcere privado, tortura. Ainda não dá pra dizer quantos estão envolvidos”, disse.

Massacre no Amazonas

As mortes de detentos confirmadas até agora no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, já fazem do episódio o segundo no país em número de mortos no sistema prisional, atrás apenas do Massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 presos foram mortos pela polícia.

Repercussão internacional

O massacre desta segunda-feira (02) repercutiu em todo o mundo. O americano The New York Times destacou na homepage de seu site a notícia, enfatizando que as facções rivais travam disputa pelo controle do tráfico de cocaína na Amazônia brasileira. “Rebeliões em prisões brasileiras são comuns”, diz a reportagem. “Mas o episódio de Manaus, que incluiu corpos decapitados atirados contra os muros da penitenciária, está entre os mais sangrentos das últimas décadas.” O jornal americano também lembrou que a prisão tinha três vezes mais detentos do que sua capacidade.