Governo do Sudão e opositores retomam conversas para terminar conflito no sul

  • Por Agencia EFE
  • 13/02/2014 18h03

Adis-Abeba, 13 fev (EFE).- O governo do Sudão e o grupo militar Movimento para a Libertação do Povo do Sudão-Norte (MPLS-N) retomaram nesta quinta-feira as conversas para pôr fim à luta armada na região do Cordofão do Sul, após mais de um ano de estagnação.

As partes iniciaram as negociações com a mediação do Grupo de Implementação de Alto Nível (AUHIP) da União Africana (UA), dirigido pelo ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki.

As conversas recomeçaram hoje em Adis-Abeba, capital da Etiópia, após quase um ano de acusações entre ambas partes sobre a violação dos acordos alcançados no ano passado.

O chefe da delegação de Cartum, Ibrahim Ahmed Ghandour, lamentou, em entrevista coletiva, que “a inflexibilidade mostrada pela outra parte” durante a última rodada de conversas, em abril do ano passado, foi a razão pela qual “não pudemos alcançar a paz à qual nosso povo aspira”.

Segundo disse, o MPLS-N lançou uma ofensiva militar onde “centenas de pessoas inocentes foram assassinadas e os corpos de outras mutilados”.

Mesmo assim, o governo do Sudão mostrou sua vontade de continuar com as negociações.

Por sua parte, Yasser Aman, negociador-chefe do MPLS-N, afirmou que seu grupo acredita em “um acordo de paz, não em um acordo militar”.

No entanto, defendeu a aplicação de um acordo alcançado na capital etíope em junho de 2011, que deverá levar a um processo constitucional e a um governo de transição apoiado pela maior parte dos partidos políticos e a sociedade civil.

O MPLS-N, que opera nestas províncias meridionais, é um grupo militar opositor que pretende derrubar o regime do presidente sudanês, Omar Hassan al Bashir, mediante a luta armada, e está acusado por Cartum de receber instruções do Sudão do Sul.

A União Africana tinha convocado uma rodada de reuniões entre o governo sudanês e os rebeldes em dezembro, que foi cancelada após a morte do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela. EFE