Governo francês acelera trâmites para proibir stand-up considerado racista

  • Por Agencia EFE
  • 06/01/2014 14h39

Paris, 6 jan (EFE).- O governo francês acelera os trâmites para proibir os espetáculos de Dieudonné, um humorista condenado seguidas vezes por piadas antissemitas que gerou uma grande polêmica na França nas últimas semanas, informou nesta segunda-feira a porta-voz do Executivo, Najat Vallaud-Belkacem.

O primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, e o ministro de Interior, Manuel Valls, enviarão nos próximos dias uma circular aos delegados do governo em vários pontos da França para que analisem se as representações do comediante significam ataques “contra a ordem pública”.

Dieudonné deve iniciar na próxima quinta-feira uma turnê em Nantes, no oeste da França, com o espetáculo “Lhe Murr”, que já estreou em Paris e do que já vendeu cerca de 4 mil entradas a 43 euros.

No entanto, impedir seus espetáculos pode se chocar com o direito à liberdade de expressão do comediante e juridicamente parece complicado aplicar-lhe a censura prévia ao artista.

O comediante está no ponto de mira do governo após brincar em dezembro sobre dois jornalistas judeus e as câmaras de gás.

É uma reviravolta a mais de um provocador negro que fez das brincadeiras antissemitas e antisistema sua marca, mas que também ataca em seus espetáculos as mulheres, os chineses e os islamitas.

O comediante foi condenado por injúrias racistas sete vezes, mas não pagou as multas ao se declarar insolvente, apesar do sucesso de público de seus espetáculos e da comercialização de outros produtos, como DVDs, camisetas, bonés e afins.

No entanto, Dieudonné não aparece como funcionário ou beneficiado das empresas que administram seus espetáculos e seus direitos, mas sua “companheira sentimental” e sua “mãe”, segundo o jornal “Le Monde”.

A situação levou os ministros de Justiça e do Interior a pedir ao aparelho do Estado que faça o que for necessário para arrecadar as somas ordenadas pelos tribunais, que chegam a milhares de euros.

A polêmica tomou ainda mais envergadura quando o controverso jogador francês Nicolas Anelka, jogador do West Bromwich inglês, comemorou um gol com um gesto conhecido como “quenelle”, inventado pelo comediante, para apoiar a seu amigo Dieudonné.

O gesto, que virou a marca de Dieudonné, consiste em estender um braço em direção ao chão e cruzar a outra sobre o ombro, o que muitos associaram à saudação nazista.

Anelka alegou que é apenas um gesto “antisistema” e não antissemita e prometeu a seu clube não voltar a comemorar um gol desse jeito para evitar mal-entendidos. EFE