Governo mexicano realiza operação para recuperar municípios de Michoacán

  • Por Agencia EFE
  • 15/01/2014 04h26

Morelia (México), 14 jan (EFE).- O governo do México iniciou nesta terça-feira uma vasta operação para recuperar municípios do estado de Michoacán, no sudoeste do país, que estavam em poder de milícias de autodefesa, cumprindo com as ameaças feitas na segunda-feira.

A operação começou na noite da segunda-feira e se prolongou até hoje.

Os primeiros relatórios extraoficiais deram conta da morte, na madrugada de hoje, de quatro pessoas, entre elas um menor de 11 anos, mas a informação não foi confirmada por nenhuma fonte do governo.

Fontes oficiais da cidade de Morelia, a capital de Michoacán, disseram que desde a noite da segunda-feira foram mobilizados 2 mil soldados na região de Tierra Caliente, onde operam organizações do tráfico de drogas que possuem um controle territorial que não existe em outras regiões do país onde há a presença do crime organizado.

A região de Tierra Caliente é o cenário no qual se movimenta o cartel dos Cavaleiros Templários, que possuem cultivos de papoula e maconha na região, assim como laboratórios para a elaboração de drogas sintéticas.

A operação para garantir a segurança da Tierra Caliente conta com a participação de uma dezena de helicópteros fornecidos pela Procuradoria Geral da República (PGR) e outros mais da Polícia Federal e do Exército.

Os efetivos começaram a chegar na segunda-feira a comunidade de Antúnez, onde quatro civis morreram ao tentar bloquear a passagem dos militares, de acordo com fontes das milícias de autodefesa e da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

Comandantes militares e policiais mantiveram nesta terça-feira uma reunião na Prefeitura de Apatzingán, em Michoacán, o centro de uma região que é o reduto dos “Templários”, para tratar o tema da insegurança na área e avançar no desarmamento dos grupos de autodefesa.

Fontes do governo estadual e das milícias de autodefesa disseram à Agência Efe que o governador de Michoacán, Fausto Vallejo, se reuniu pela tarde de hoje com líderes dos grupos irregulares em Apatzingán.

As fontes das milícias informaram que vão divulgar sua posição nesta quarta-feira sobre as propostas de Vallejo.

O secretário federal de governo, Miguel Ángel Osorio, informou em entrevista coletiva durante uma visita ao estado de Veracruz que concluiu a substituição total da polícia municipal de Apatzingán por agentes federais.

“O mesmo aconteceu no município de Uruapan e está sendo feito neste momento no município de Múgica. Nesses lugares a Polícia Federal vai garantir a segurança do patrimônio e das vidas dos habitantes”, declarou.

Osorio acrescentou que começou um diálogo com os grupos de autodefesa para que “cooperem com informação e participem dos trabalhos de segurança pública, uma vez que cumpram com os requisitos para serem incorporados em alguma das forças de segurança que operam e operarão em Michoacán”.

As milícias de civis armados atuam em 15 dos 113 municípios desse estado.

O Governo Federal deu um ultimato na segunda-feira para que esses grupos deixem de operar nesses municípios e começou a cumprir com suas ameaças de mobilizar as forças policiais e militares nas últimas horas.

Desde que foi anunciado o ultimato, os líderes das milícias de autodefesa se negaram a acatar as ordens dadas pelo governo para que renunciem às armas e abandonem as posições que têm sob seu controle.

“Aqui está o Exército, não vamos entregar as armas. Aqui nós vamos morrer, vamos morrer todos”, afirmou à Efe um dos dirigentes das milícias, Estanislao Beltrán, quando informou sobre o ataque que causou a morte das quatro pessoas.

O procurador-geral Jesús Murillo declarou que as autoridades têm a obrigação de “restabelecer o Estado de Direito”, mas “com o mínimo de violência possível”.

A decisão de obrigar os grupos a se desarmarem foi adotada em meio a um desprestígio das autoridades do estado, governado por Vallejo, do governante Partido Revolucionário (PRI) e criticado duramente por sua ineficácia.

Mas as autoridades têm o difícil desafio de desarmar grupos de civis que contam com certo apoio da população, devido ao vazio de poder que existe em Michoacán há muitos meses.

Uma pesquisa telefônica divulgada na capital mexicana indica que 45% dos moradores de Michoacán são favoráveis a recorrer às armas para enfrentar os cartéis do narcotráfico, enquanto 43% desaprovam essa saída. EFE

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