Governo perde cadeiras, mas mantém liderança em eleições na Estônia

  • Por Agencia EFE
  • 01/03/2015 21h08

Riga, 1 mar (EFE).- O Partido Reformista do primeiro-ministro da Estônia, Taavi Roivas, e seus parceiros no governo social-democratas perderam posições nas eleições parlamentares de hoje, e precisarão buscar o apoio de uma terceira força para se manter no poder.

Com 100% votos apurados, o liberal Partido Reformista obteria 30 das 101 cadeiras (27,7% dos votos) do Riigikogu (câmara baixa), três a menos que na legislatura 2011-2015, indicou a Comissão Eleitoral Nacional.

O Partido Social-Democrata, por sua vez, obteve 15 assentos (15,2% dos votos) no parlamento estoniano, quatro menos que hoje.

“Tenho um anúncio importante: o Partido Reformista ganhou as eleições de 2015”, disse pouco antes da meia-noite local Roivas, que agradeceu o apoio dos eleitores e a todos os candidatos de seu partido, liberal no econômico, pró-europeu e pró-OTAN.

O primeiro-ministro estoniano acrescentou que descarta negociar com a principal força da oposição, o Partido Centrista, o que indica que a única fórmula viável parece ser um tripartite para que o executivo em Tallinn alcance a estabilidade.

Já o Partido Centrista, um bloco de centro-esquerda liderado por Edgar Savisaar, um veterano da luta estoniano pela independência na década de 80 e ex-membro do Partido Comunista, obteve 27 cadeiras – uma mais que nas últimas eleições – (24,8% dos votos).

Saavisar parece ter conquistado novos votos entre os russoparlantes, especialmente na capital estoniano, onde em um de seus subúrbios obteve 40% dos votos, mostraram as estatísticas oficiais deste país de 1,3 milhões de habitantes.

Durante a campanha criticou-se – em um país cada vez mais preocupado com a crise da Ucrânia e a posição de Moscou – que Savisaar mantenha laços com a Rússia Unida, o partido político do presidente russo, Vladimir Putin.

Certos setores da sociedade estoniana mostraram descontentamento porque o único partido próximo à Rússia melhorou seus resultados e se tornou o segundo mais votado no mesmo dia em que dezenas de milhares de pessoas se manifestaram em Moscou pelo assassinato do opositor russo Boris Nemtsov.

O grande perdedor destas eleições é o partido nacionalista e conservador Pró Pátria e Rês Publica (IRL), que ficou com 14 cadeiras, nove a menos que nesta legislatura.

Três formações menores passaram pela cláusula de barreira e terão lugar no Riigikogu, onde Roivas pode encontrar seu novo aliado.

A participação eleitoral foi a mais elevada desde as eleições nacionais de 1995, com 63,7%.

Juri Estam, comentarista político estoniano, disse à Agência Efe considerar factível um tripartite com o Partido Reformista à cabeça, os social-democratas como principal apoio e, como terceiro pilar, ou o Partido Liberal ou o conservador Partido Popular da Estônia.

A campanha eleitoral na Estônia se centrou principalmente em assuntos da economia nacional, especialmente no modo de articular uma reforma tributária que beneficie as classes mais baixas.

Os principais partidos da Estônia, um dos poucos países da Otan que dedica à defesa 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB), mostraram um amplo consenso em matéria de política de segurança, tentando aplacar os temores de grande parte da população perante a atitude ofensiva do Kremlin.

Estônia, Letônia e Lituânia recuperaram sua independência após o colapso da União Soviética em 1991.

Os três países bálticos se tornaram independentes em 1918 do Império russo, mas foram ocupados pelo Exército Vermelho em 1940 e, entre 1941 e 1945, pelas tropas nazistas, e caíram sob o domínio soviético depois da Segunda Guerra Mundial. EFE